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Ministério do Mar e APDL negam atrasos na requalificação do Porto de Leixões

França (mais 43%) e Angola (19%) foram os países de destino que mais contribuíram para o crescimento do Porto de Leixões

Rui Duarte Silva

Presidente do Conselho de Administração da APDL e Ministério do Mar apontam conclusão da construção do novo Terminal de Contentores para 2023, um ano antes do inicialmente previsto. Guilhermina Rego refuta ainda ingerência do Governo nas atividades e investimentos do Porto de Leixões, ao contrário do que afirma a Associação Comercial do Porto

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

A Administração da APDL repudiou, esta sexta-feira, as declarações da Associação Comercial do Porto sobre o adiamanto das obras de ampliação e aprofundamento da bacia do Porto de Leixões, obra fundamental para a entrada de navios de maior calado no Terminal de Contentores, por onde passam mais de 455 das exportações da região norte.

Guilhermina Rego, presidente da APDL - Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo -, refuta ainda a lógica centralista da tutela na decisão dos investimentos gerados pela estrutura portuária, desmentindo assim as acusações do líder da associação portuense, Nuno Botelho, que critica a tentação do Ministério do Mar de querer transformar o Porto de Leixões numa sua sucursal.

A ex-vereadora da Câmara do Porto de Rui Rio e de Rui Moreira no último mandato afirma que “não é verdade que o Porto de Leixões esteja quartado na sua autonomia”, sublinhando que os estatutos da APDL são claros: “A administração da APDL é quem decide o plano de atividades de exploração económica e obras marítimas, fluviais e terrestres nos portos e via navegável do Douro sob a sua jurisdição, em natural articulação com o Ministério do Mar e das Finanças”.

Ao Expresso, Guilhermina Rego lamenta ainda que a Associação Comercial do Porto “não tenha falado com os responsáveis da APDL para se informar sobre o plano de investimento e o calendário de concretização das obras acordadas na 'Estratégia para o Aumento da Competitividade da Rede de Portos Comerciais do Continente - Horizonte 2026', aprovada em 2017.

Além de considerar infundada a apreensão de Nuno Botelho relativamente ao atraso no concurso para a ampliação e aprofundamento da bacia de rotação do Terminal de Contentores, a líder da APDL “estranha a altura escolhida para fazer tais declarações”, dado que, em vez de adiamentos, “até está previsto que a conclusão da obra seja antecipada para 2023 e não em 2024, conforme a previsão inicial do Governo”.

Embora não adiante o montante do investimento no Terminal de Contentores, a instalar na zona sul do Porto de Leixões mas cujo layout está ainda a ser estudado com a Câmara de Matosinhos e a Doca Pesca, Guilhermina Rego adianta que o lançamento do concurso público internacional deverá ocorrer em março de 2021, data também avançada, hoje, em comunicado, pelo Ministério do Mar. “Ou seja, existe um prazo inferior a quatro anos desde o lançamento do concurso até à conclusão da obra”, referem em uníssono a APDL e ministério, contrariando a previsão de a obra só vir a terminar, no mínimo, quatro anos após o anúncio do concurso.

A presidente do CA da APDL rejeita ainda as críticas de Nuno Botelho quanto à alegada falta de investimentos no Porto de Leixões, quando estão em curso uma injeção de €15 milhões na reabilitação das Docas e de €2 milhões no Terminal Petrolífero. A administradora anunciou também que nos próximos meses irá ser lançado o concurso para obras das acessibilidades marítimas do porto, o prolongamento do quebra-mar em 300 metros orçado em €147 milhões.

O Ministério do Mar refere em comunicado que “não deixa de se estranhar que, no momento de discussão pública destes investimentos, que ocorreu muito recentemente, a Associação Comercial do Porto não tenha tido qualquer participação, nem tomado qualquer iniciativa no sentido de manifestar alguma preocupação sobre estas matérias junto do Governo ou da administração da APDL”