Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

Fogos: situação muito complicada em Monchique. Oito bombeiros feridos

Este é o segundo dia de combate às chamas na serra de Monchique, que ainda nesta quinta-feira registou vários focos de incêndio. Oito bombeiros ficvaram feridos, assim como um trabalhador florestal

Amadeu Araújo

O Monte de Taipas, no concelho de Monchique, foi esta tarde evacuado devido ao incêndio que lavra desde as 13h32 em Perna da Negra. As chamas lavram agora em várias frentes.

A meio da tarde, soube-se que dois bombeiros e um sapador da Afocelca, a Associação de Produtores Florestais que tem um dispositivo de combate no local, ficaram feridos “intoxicados com o fumo”, de acordo com fonte do Comando da Proteção Civil. Os homens feridos foram assistidos e “não inspiram cuidados”, disse a mesma fonte. Ao início da noite, totalizava nove o número de operacionais que tinha já necessitado de assistência, entre os quais oito bombeiros.

Fonte dos bombeiros, na linha de fogo, confirmou as dificuldades e não antevê “melhorias. Temos a regra dos 30 a funcionar: mais de 30ºC; menos de 30% de humidade e ventos de 30 nós e nestas condições é muito difícil combater o incêndio”.

O fogo lavra agora em várias frentes, entrou numa mata densa e vai progredindo no sentido dos concelhos de Odemira e Portimão. A linha da frente do fogo está cada vez mais afastada do Centro de Meios Aéreos de Monchique, o que dificulta as operações logísticas dos meios aéreos.

A grande preocupação dos bombeiros é travar o avanço das chamas para o vizinho concelho de Odemira, onde “colocaria em risco a zona florestal de São Teotónio e Relva Grande”, conta outra fonte da Proteção Civil. No quartel dos Bombeiros de Odemira, os operacionais confirmam a informação e esclarecem que estão “de prevenção a acompanhar” a evolução do incêndio na serra de Monchique.

Forte, a arder com intensidade e com dificuldades no combate. O incêndio de Monchique, que é o mais grave neste momento no país e está a consumir uma zona da serra de Monchique, plantada com eucaliptos e que não registava incêndios desde 2003, não dá tréguas e obrigou já à mobilização de meios que estavam pré-posicionados, de prevenção, em Ourique.

A Proteção Civil cortou a estrada que liga Monchique a Odemira. Nesta altura estão no local 400 bombeiros, auxiliados por 100 viaturas e cinco máquinas de rasto. Este é o segundo dia de combate às chamas na serra de Monchique, que ainda nesta quinta-feira registou vários focos de incêndio.

“Um grupo de reforço que estava posicionado em Ourique, oriundo de Lisboa está já a entrar no teatro de operações e vai proceder ao combate mal seja concluído o reconhecimento e análise de risco”, disse ao Expresso o Chefe de Sala do Comando Distrital de Operações de Socorro de Faro.

A dificuldade de acessos obrigou à mobilização de nove meios aéreos, cinco helicópteros e dois aviões, e à utilização de cinco máquinas de rasto “para criação de acessos e aceiros”, adiantou o Comando da Proteção Civil no Algarve. De acordo com o comando “uma das frentes está a ceder, a outra ainda arde com intensidade”.

No local há confirmação de uma casa ardida e da evacuação de aldeia de Taipas. Há ainda indicação de “danos” numa indústria de madeira mas a Proteção Civil ainda não confirma esta situação. Para este sábado as previsões da meteorologia apontam para um cenário adverso, com temperaturas elevadas, vento e baixos índices de humidade relativa.

Noite vai trazer rotação de equipas e vigilância

Com o cair da noite, as operações de combate ao incêndio de Monchique, que está ativo desde o princípio da tarde, vão perder músculo. A saída dos meios aéreos ditou o reforço dos meios terrestres, mas a falta de acessos e a dificuldade em colocar homens numa das frentes de fogo são as preocupações dos bombeiros.

Para o local continuam a ser enviados reforços, “com o intuito de refrescar os combatentes” num fogo que mantém, a esta hora, duas frentes ativas. Nas próximas horas, a preocupação será a de “conter os flancos e evitar grandes propagações”. A proteção Civil prepara, para o nascer do dia, um combate “musculado com recurso a meios aéreos e equipas frescas”.

O incêndio de Perna da Negra é o incêndio mais grave no país e está a consumir uma zona da serra de Monchique, plantada com eucaliptos e que não registava incêndios desde 2003. Para este sábado as previsões da meteorologia apontam para um cenário adverso, com temperaturas elevadas, vento e baixos índices de humidade relativa.

No país há ainda outras ocorrências a preocupar a Proteção Civil, como é o caso do incêndio no Sabugal, distrito da Guarda, que consome mato e floresta e mobiliza 65 operacionais, 14 viaturas e dois meios aéreos.