Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

Associação Comercial do Porto diz estar confirmada a “ausência de autonomia” do Porto de Leixões em relação ao Governo

Rui Duarte Silva

Nuno Botelho reafirma que Porto de Leixões não pode ser uma sucursal da tutela e que calendário do Ministério do Mar para as intervenções na infraestrutura portuária a concluir até 2023 é completamente irrealista. Associação Comercial do Porto condena ainda a atitude de secretismo na discussão do Plano Estratégico do Porto de Leixões

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

Após a APDL e o Ministério do Mar terem refutado, esta sexta-feira, atrasos no plano de ampliação e aprofundamento do novo Terminal de Contentores do Porto de Leixões, a Associação Comercial do Porto reafirma que a concertação e o teor dos comunicados, divulgados hoje, confirmam os receios de “ausência de autonomia” da administração dos portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo e o Governo.

Em comunicado, a mais antiga associação empresarial do país volta a defender que o Porto de Leixões “não pode ser uma sucursal do Ministério do Mar”, tal como afirmou, ontem, ao Expresso, Nuno Botelho. Depois de uma análise comparativa às posições da APDL e do ministério tutelado por Ana Paula Vitorino, a Associação Comercial do Porto refere que os comentários de parte a parte “causam uma grande estranheza”, em especial quanto à acusação “gratuita e sem qualquer fundamento” de falta de iniciativa no sentido de manifestar ”alguma preocupação sobre estas matérias”.

A ACP lembra que foi por iniciativa própria que realizou o estudo “Terminais Portuários e Infraestruturas Logísticas em Portugal”, enviado ao Ministério do Mar “a 29 de junho de 2016, sendo solicitada uma audiência com a ministra para a paresentação do mesmo”. Segundo a associação, “até à data de hoje, nem o estudo nem o pedido de audiência mereceram qualquer resposta ou comentário”, apesar de Ana Paula Vitorino o ter referido numa entrevista em 2017, “altura em que a ACP solicitou nova audiência a reforçar a sua preocupação relativamente à política portuária”.

“Secretismo” e “retrocesso”

A ausência de resposta, leva agora a ACP a acusar a administração da APDL “de atitude de secretismo e retrocesso face ao Plano Estratégico de 2004/2015”, que Nuno Botelho diz ter sido amplamente acompanhado pela Comunidade Portuária da qual a ACP é parte ativa. “Este continua na gaveta do Ministério do Mar e, se está pronto e aprovado, não foi divulgado, como deveria, e foi solicitado”, critica Nuno Botelho.

A ACP adverte que a construção do novo Terminal de Contentores já fora abordado no Plano Estratégico 2004/15, razão pela qual, refere o comunicado, “qualquer redução de calendário não será uma virtude, mas um desespero face à necessidade urgente de operar navios que necessitam de fundos a 14 metros”. A associação acrescenta ainda que por falta desse Terminal, o Porto de Leixões “perdeu três linhas de navegação nos últimos três anos e não conseguiu ganhar duas”.

Para a ACP, o calendário apresentado pelo Ministério do Mar, qua aponta para o lançamento de concurso público em 2021 e conclusão das obras do Terminal de Contentores em 2023, é “completamente irrealista dadas as intervenções necessárias na infraestrutura portuária e constrangimentos no porto de pesca”, avançando a entidade liderada por Nuno Botelho para uma execução não inferior a sete anos.

  • Ministério do Mar e APDL negam atrasos na requalificação do Porto de Leixões

    Presidente do Conselho de Administração da APDL e Ministério do Mar apontam conclusão da construção do novo Terminal de Contentores para 2023, um ano antes do inicialmente previsto. Guilhermina Rego refuta ainda ingerência do Governo nas atividades e investimentos do Porto de Leixões, ao contrário do que afirma a Associação Comercial do Porto

  • “Porto de Leixões não pode ser uma sucursal do Ministério do Mar”, avisa Nuno Botelho

    Líder da Associação Comercial do Porto critica desvio de dividendos para o Orçamento de Estado e lógica centralista na gestão do Porto de Leixões, porta de saída de mais de 45% das exportações da região norte. Nuno Botelho alerta que, sem a urgente ampliação e aprofundamento do Terminal de Mercadorias, os navios de maior calado deixarão de atracar, “com graves prejuízos” para a economia do país