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Alentejo. Administração Regional de Saúde admite reforçar meios face à onda de calor

NICOLAS ASFOURI/AFP/Getty Images

Departamento de Saúde Pública da Administração Regional de Saúde do Alentejo diz que os profissionais estão todos alertados e as unidades estão preparadas para a eventual necessidade de reforçar meios

A delegada de Saúde do Alentejo, Filomena Araújo, admitiu esta quarta-feira o reforço dos meios e o alargamento das consultas nas unidades de saúde da região se a procura aumentar, devido ao "aumento súbito das temperaturas".

"Vamos fazer a monitorização do aumento da procura nos centros de saúde e hospitais e, se for necessário, ou seja, se aumentar a média diária da procura nas unidades, então haverá um reforço das equipas clínicas e o alargamento das consultas", disse a delegada de saúde regional, em declarações à agência Lusa.

Filomena Araújo, que dirige também o Departamento de Saúde Pública da Administração Regional de Saúde (ARS) do Alentejo, afirmou que "os profissionais estão todos alertados e as unidades dispõem de todos os mecanismos" para que esse reforço possa ser implementado.

"Estamos a divulgar as informações para que as pessoas se protejam e para que os profissionais aconselhem os seus utentes e temos o plano de contingência regional para o verão ativado desde maio", afiançou.

No Alentejo, segundo Filomena Araújo, as temperaturas elevadas no verão "são normais" e "as pessoas já estão adaptadas", pelo que não se costuma registar um aumento da procura nas unidades de Saúde, mas o calor que está previsto, a partir de hoje, para os próximos dias "é atípico".

"Normalmente, no Alentejo, quando há muito calor como o que se prevê, nesta altura do ano, não temos grande problema. Este ano, é que não é o caso porque não temos tido um verão normal, tem sido mais fresco e, por isso, não houve ainda uma adaptação fisiológica das pessoas a estas temperaturas", enfatizou.

Por isso, perante este "aumento súbito" das temperaturas, "podem vir a surgir alguns problemas", admitiu a delegada de saúde regional, alertando que, além do calor, as previsões apontam para "outros três fatores de risco", a partir desta quarta-feira: "Temos as poeiras do norte de África, que aumentam os problemas respiratórios, e níveis de ozono e de raios ultravioleta muito elevados".

Lembrando que "os efeitos das ondas de calor" se começam a sentir "48 a 72 horas" após o início do aumento das temperaturas, Filomena Araújo avisou que, para evitar o recurso às unidades de saúde, a prevenção deve ser uma prioridade para a população, sobretudo para os grupos de risco, como idosos, crianças ou doentes crónicos.

"O que importa é que cada pessoa se proteja. São tudo coisas mais ou menos simples, que passam por evitar a exposição direta ao sol nas horas de mais calor, não descurar a hidratação, usar roupas largas e manter a casa fresca", exemplificou.

Reforçar a vigilância de idosos e doentes crónicos que vivem sozinhos, moderar as atividades ao ar livre e ter atenção aos avisos das autoridades de saúde, do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) e da Autoridade Nacional de Proteção Civil são outros dos conselhos da delegada de Saúde.

O IPMA alertou que, nos próximos dias, as temperaturas máximas em Portugal vão estar "muito acima dos valores normais para a época" e podem atingir "máximos absolutos em vários locais", com máximas a rondarem os 45ºC e as mínimas a aproximarem-se dos 30ºC.