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“Porto de Leixões não pode ser uma sucursal do Ministério do Mar”, avisa Nuno Botelho

Rui Duarte Silva

Líder da Associação Comercial do Porto critica desvio de dividendos para o Orçamento de Estado e lógica centralista na gestão do Porto de Leixões, porta de saída de mais de 45% das exportações da região norte. Nuno Botelho alerta que, sem a urgente ampliação e aprofundamento do Terminal de Mercadorias, os navios de maior calado deixarão de atracar, “com graves prejuízos” para a economia do país

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

A Associação Comercial do Porto quer uma resposta definitiva do Ministério do Mar em relação “à sempre adiada implementação” do Plano Estratégico de Expansão do Porto de Leixões, “já anunciado três pela ministra Ana Paula Vitorino, sem nunca sair da gaveta”. O presidente da mais antiga associação empresarial do país acusa o Governo de “não fazer nem deixar fazer” a ampliação de “um dos melhores portos médios da Europa”, ao desviar e centralizar os dividendos gerados pelo Porto de Leixões para “tapar buracos noutros portos, entre os quais o de Lisboa”.

Para Nuno Botelho, o Ministério do Mar tem funciona como uma “holding informal centralizada na capital ”, o que na sua ótica retira autonomia e capacidade de investimento no terminal “que é a porta de partida de mais de 45% das exportações da região para o mundo, neste momento no limite da sua capacidade máxima”.

O líder da Associação Comercial do Porto lembra que o Porto de Leixões foi construído à custa das trocas comerciais da região há 125 anos, não tendo a sua “autonomia sido conquistada ou cedida pelo poder central”, o que, salienta, permitiu às administrações do Porto de Leixões remodelar a ponte móvel de Leça ou construir a via rápida para a plataforma logística da infraestrutura com investimento próprio.

Na base do “grito de revolta”, lançado num duro comunicado da associação presidida até 2013 por Rui Moreira, está “a crescente interferência do Governo nas atividades do Porto de Leixões, pago e sustentado pela economia da região norte e visto por Lisboa como uma sucursal”. Sem intervenção urgente, Nuno Botelho avisa que a infraestrutura corre o risco de, em breve, deixar de receber barcos de maior calado, caso as prometidas obras de expansão do Terminal de Mercadorias, estimadas em €200 milhões, teimem em não avançar “com graves consequências para a indústria regional e atividade económica do país”.

“O silêncio da senhora ministra do Mar é particularmente grave face à tendência de aumento de dimensões dos navios de dimensões dos navios que o pretendem escalar e só com a ampliação permitirá ao Porto de Leixões manter-se-se competitivo face à concorrência”, diz Nuno Botelho, apreensivo com o facto de entre o lançamento do concurso da obra e a construção mediar um período não inferior a quatro anos.

Em 2016, a associação que integra a Comunidade Portuária do Porto de Leixões desenvolveu o estudo “Terminai que Portuários e Infra-estruturas logísticas em Portugal”, análise que já apontava o Porto de Leixões e de Sines como motores fundamentais para o crescimento das exportações do país, referindo o presidente da Associação Comercial do Porto, em funções desde 2013, não ter recebido até hoje resposta ou comentários das autoridades tutelares do setor ao documento.