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Inspetores da Educação escrevem ao ministro: Não somos “polícias do Ministério”

Ministério da Educação enviou inspetores às escolas durante a greve dos professores para "ajudar" os diretores a resolver casos pendentes. Sindicato diz que foram "instrumentalizados" e manifesta "profunda indignação"

O Sindicato dos Inspetores da Educação e do Ensino (SIEE) não gostou das últimas instruções do Ministério da Educação, que enviou equipas da Inspeção-Geral da Educação e Ciência (IGEC) durante o último período da greve dos professores, convocada pelo sindicato STOP, e que estava a impedir a conclusão do processo de avaliação de milhares de alunos. Numa carta aberta enviada ao ministro, o SIEE manifesta “a mais profunda indignação face à atividade que alguns inspetores tiveram de realizar nos últimos dias”.

A presença de inspetores nas escolas teria, segundo o Ministério, o objetivo de “ajudar os diretores na resolução dos casos pendentes, através da aplicação de instruções anteriormente enviadas às escolas”. Mas, de acordo com o sindicato, não foi de uma “ajuda” que se tratou. “Quem é que afirma que pretende um inspetor que apoie as escolas e depois lhe dá ordens para ir verificar quem se está a portar mal?”, lê-se na carta entretanto divulgada. “Quando é pedido ao inspetor que verifique se as escolas estão a cumprir as instruções enviadas pelo ME e, em caso de incumprimento, identificar os motivos isso é apoio?”, questionam ainda.

O SIEE fala em instrumentalização e diz que os inspetores “não aceitam ser usados como polícias do Ministério da Educação”, já que esse papel “não se coaduna com a missão e competências da IGEC”. E voltam a pedir que este serviço seja assumido enquanto “Inspeção do Estado e não Inspeção do Governo”, dependendo do Governo e também da Assembleia da República. Assim se reforçaria a sua “autonomia e credibilidade, minorando os riscos de instrumentalização e governamentalização”.

Na mesma carta, o Sindicato dos Inspetores diz ainda que "elementos do Ministério têm feito tudo para denegrir a imagem da Inspeção e dos inspetores", que são apresentados como os que "vão às escolas de espada em riste, e que quartam tudo o que de bom e inovador as escolas querem realizar".