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Horários repostos na CP: Cascais, 9 de setembro; Sintra, 14 de outubro

Comboios vão ser suprimidos a 5 de agosto mas serão repostos a 9 de setembro na linha de Cascais e a 14 de outubro na linha de Sintra

Nuno Fox

A supressão de comboios, após a entrada em vigor dos novos horários, terá um período "sazonal". Em algumas linhas já se sabe a data em que as coisas, após as mudanças de 5 de agosto, voltarão ao que são hoje

Na Linha de Cascais, a perda de sete comboios por dia (em cada sentido), que irá verificar-se a partir de 5 de agosto, vai durar cinco semanas. A cadência de composições que existe hoje será retomada no dia 9 de setembro, disse ao Expresso fonte oficial do gabinete do ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques.

Nos suburbanos que ligam aquela vila ao Cais do Sodré (Lisboa), as alterações a partir do próximo fim-de-semana suprimem um comboio em hora de ponta (de manhã e de tarde). Se hoje há uma ligação de 12 em 12 minutos (cinco por hora), o intervalo será em agosto de 15 minutos (quatro comboios por hora).

Já na Linha de Sintra e na sua ligação à Linha da Azambuja (onde os percursos são vários, com origens e destinos distintos), será nos comboios entre Mira-Sintra/Meleças e Lisboa Rossio que se sentirão mais supressões a partir de 5 de agosto. Serão eliminados 16 comboios por dia que saem de Mira-Sintra/Meleças e 14 entre os que partem do Rossio. Em média, a redução é de dois comboios por hora de ponta, em cada sentido. Naqueles percursos, a reposição da situação atual ocorrerá no dia 14 de outubro, garantiu ao Expresso fonte oficial do gabinete de Pedro Marques.

Para a terceira das situações “mais preocupantes" (Linha do Oeste), como as define a fonte do Governo, ainda não há data para reverter os horários que serão cortados. “Só se resolverá com o material que virá de Espanha”, adianta o elemento do gabinete de Pedro Marques.

Nesta semana, como o Expresso noticia na sua edição impressa deste sábado, o Governo e a administração da CP negociaram em Espanha o aluguer de material circulante (de três a quatro composições a diesel e duas elétricas) para tentar minimizar a situação de rutura em que se encontra a empresa ferroviária. O objetivo do Governo é ter o material nos carris nacionais até dezembro. Aquelas composições destinam-se, sobretudo, ao reforço da Linha de Oeste e de outras ligações regionais.

Outro esforço do Executivo para acorrer à CP, desenvolvido nesta semana, foi a autorização da contratação de mais centena de trabalhadores para a EMEF, a empresa que tem as oficinas de reparação.

Noutras linhas do país, os cortes decorrentes dos novos horários de agosto terão menor impacto, pelo menos em termos quantitativos. Por exemplo, numa simulação feita nesta sexta-feira pelo Expresso no motor de busca da CP, entre Porto/São Bento e Braga a redução é apenas de um comboio, em ambos os sentidos. De 33 passa-se para 32, considerando todos os tipos de percurso (de Regional a Alfa Pendular).

Já entre Aveiro e Porto/São Bento, mantêm-se os mesmos 47 comboios diários. E no sentido inverso há até mesmo um aumento: de 46 para 50 comboios.

Prevenir o descarrilamento político

A garantia da reposição, em setembro, dos horários da Linha de Cascais foi uma das primeiras a ser conhecida nesta semana, depois de alguma contestação aos anunciados cortes. O serviço neste suburbano de Lisboa tem, de resto, sofrido uma quebra ao longo dos anos.

Segundo o jornal "Público" deste sábado, contando com os comboios que circulavam só entre Cais do Sodré e Oeiras, e entre Cais do Sodré e São Pedro do Estoril (ligações entretanto extinta a última e com menos circulação a primeira), a Linha de Cascais perdeu 137 comboios por dia desde 2011.

Como o Expresso noticia este sábado, foi a ação do Executivo que levou a CP a "recuar na supressão de comboios". Para já, a 5 de agosto entrarão em vigor os novos horários que a empresa pretendia impor. Mas a ação do Governo leva a que eles tenham apenas um caráter "sazonal".

Nas últimas semanas e dias, mesmo com comboios previstos, o que não tem faltado são supressões de última hora em todo o país, deixando por vezes passageiros pendurados nas estações e apeadeiros. A redução da oferta (nunca assumida expressamente pela CP) que resulta dos novos horários veio inflamar ainda mais os protestos (de utentes, de associações empresariais e de autarcas), tanto em meios urbanos e suburbanos como no interior.

Foi este clima de descontentamento que levou o Governo a intervir, temendo um aumento da impopularidade da empresa pública, e por extensão um custo político para o Executivo liderado por António Costa.

O Governo e a CP estão ainda a ultimar a lista definitiva de horários que, após as alterações de agosto, “voltarão ao formato atual em setembro/outubro”. Mas há um que já se sabe que acabará de vez: o primeiro Alfa Pendular entre Lisboa e Porto, o único comboio que saído da capital chegava à segunda cidade do país antes das nove da manhã.