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Cinco milhões de euros de financiamento luso-espanhol apoiam investigação portuguesa

Os oito projetos científicos portugueses, que serão apresentados esta quarta-feira numa sessão em Lisboa, incidem sobre doenças como a malária, a depressão, a obesidade e a insuficiência cardíaca, bem como sobre as bactérias intestinais ou a perceção sensorial

Cerca de cinco milhões de euros vão ser atribuídos a oito projetos científicos portugueses ao abrigo de uma iniciativa luso-espanhola de apoio à investigação em biomedicina e saúde que arrancou este ano, foi esta quarta-feira divulgado.

Trata-se dos primeiros projetos de instituições portuguesas financiados pela "Iniciativa Ibérica de Investigação e Inovação Biomédica, i4b", que envolve a Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT, Portugal) e a fundação bancária La Caixa (Espanha), anunciou a instituição portuguesa numa nota de imprensa.

A iniciativa, que tem um concurso de caráter anual, foi formalizada em 15 de fevereiro, quando as duas fundações assinaram um protocolo de cooperação científica e tecnológica.

Os oito projetos científicos portugueses, que serão apresentados esta quarta-feira numa sessão em Lisboa, incidem sobre doenças como a malária, a depressão, a obesidade e a insuficiência cardíaca, bem como sobre as bactérias intestinais ou a perceção sensorial.

O 'bolo financeiro' a repartir pelos projetos, que terão uma duração de três anos, é de cerca de cinco milhões de euros, valor dado em partes iguais pela La Caixa e pela FCT (principal entidade que subsidia a investigação científica em Portugal).

Um dos projetos, a cargo do Instituto de Medicina Molecular João Lobo Antunes, visa compreender as condições pelas quais o parasita da malária se fixa e se reproduz no fígado. Um outro, da Fundação Champalimaud, propõe-se aprofundar o estudo da interação das bactérias intestinais com a ingestão de alimentos.

A lista inclui trabalhos sobre como as células guardam a informação genética (Instituto Gulbenkian de Ciência), como evitar e melhorar o tratamento das complicações pulmonares por reações alérgicas a um fungo (Universidade do Minho) e como combater a obesidade para tratar a doença do fígado gordo (Universidade de Lisboa).

Há também projetos sobre as disfunções nas células cerebrais associadas à depressão (Universidade de Coimbra), uma nova terapia para a insuficiência cardíaca que permite corrigir a dessincronização do ventrículo esquerdo do coração (Universidade do Porto) e as redes neuronais do cérebro e a perceção sensorial (Fundação Champalimaud).

A "Iniciativa Ibérica de Investigação e Inovação Biomédica, i4b" selecionou, por concurso, 16 projetos científicos espanhóis e quatro portugueses, financiados totalmente pela Fundação La Caixa. Os restantes projetos de investigação portugueses são subsidiados pela FCT.

Por cada projeto português financiado pela La Caixa, a Fundação para a Ciência e Tecnologia compromete-se a subsidiar, em igual montante, um projeto científico português considerado igualmente excelente, mas que ficou de fora da lista dos selecionados no concurso, esclareceu à Lusa o presidente da FCT, Paulo Ferrão.
O concurso é aberto pela Fundação La Caixa e inclui um painel de avaliadores internacionais.

Para o concurso de 2018, o primeiro da "Iniciativa Ibérica de Investigação e Inovação Biomédica, i4b", a Fundação La Caixa destinou um máximo de 12 milhões de euros, montante que, eventualmente, poderá ser aumentado nos anos seguintes.

Por ano, a instituição espanhola compromete-se a apoiar cerca de 20 projetos de investigação liderados por cientistas de universidades e laboratórios sem fins lucrativos que trabalham em Portugal ou em Espanha.

A "Iniciativa Ibérica de Investigação e Inovação Biomédica, i4b" visa premiar a investigação de excelência e com impacto social nas áreas da biomedicina e saúde, em particular na oncologia, nas neurociências e nas doenças infecciosas e cardiovasculares.

A apresentação dos oito projetos científicos portugueses realiza-se no Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa, na presença do ministro da Ciência, Manuel Heitor, do curador da Fundação La Caixa, Artur Santos Silva, do presidente da FCT, Paulo Ferrão, e do diretor corporativo de Investigação e Estratégia da La Caixa, Ángel Font.