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Muita fé

O maior problema desta geração do Santa Fé afeta a maioria dos automóveis do segmento. Ser Classe 2 nas autoestradas encarece a utilização diária, e quanto a isso, por enquanto, nada a fazer

D.R.

Enquanto não chega o novo modelo, aguardado para o final do ano, o Hyundai Santa Fé ainda dá cartas como uma das apostas seguras no segmento dos grandes SUV. O jornalista Rui Pedro Reis fez-se à estrada para uma viagem pelas Serra da Lousã. Para ser um percurso de fé, até passou pelo caminho de Santiago

Rui Pedro Reis / SIC

Por vezes, um automóvel em fim de comercialização pode ser um bom negócio. Está mais do que testado e consegue-se um bom desconto porque a marca está interessada em escoar o stock. Foi isso que me levou a pegar no Hyundai Santa Fé, que já não conduzia há uns dois anos, para perceber se acusa o peso da idade ou continua a ser uma boa proposta.

Como um SUV merece ser testado fora dos centros urbanos, rumei à Serra da Lousã para um ensaio que não deixa margem para dúvidas. De resto, a EN2 é um excelente palco para testar qualquer automóvel. A sequência de curvas é exigente e a paisagem obriga a um esforço para não haver distrações.

As linhas exteriores mostram que os traços da marca sul-coreana já têm muito ADN europeu

As linhas exteriores mostram que os traços da marca sul-coreana já têm muito ADN europeu

D.R.

É fácil perceber que o interior deste Santa Fé está mais datado que o exterior. No interior, os acabamentos e os materiais são bastante bons, mas o design da Hyundai está a evoluir noutro sentido. O sistema de infoentretenimento também não é de última geração, mas pelo menos é fácil de utilizar. O maior trunfo é a habitabilidade. A segunda fila de bancos é movível e permite dar mais espaço à bagageira, ou aos ocupantes dos dois lugares da terceira fila. De referir que estes bancos oferecem um bom nível de conforto.

O maior problema desta geração do Santa Fé afeta a maioria dos automóveis do segmento. Ser Classe 2 nas autoestradas encarece a utilização diária e, quanto a isso, por enquanto nada a fazer. Depois há a questão do motor 2.2 que, esse sim, já acusa a idade. É um bloco que tem sempre bastante disponibilidade, mas num traçado sinuoso de montanha os consumos rondaram sempre os 9 litros aos 100km.

É no asfalto que a maioria dos condutores vão utilizar um SUV como este. E o Santa Fé passa no teste com boa nota

É no asfalto que a maioria dos condutores vão utilizar um SUV como este. E o Santa Fé passa no teste com boa nota

D.R.

Quase um todo-o-terreno

O Santa Fé não se assume como um todo o terreno, porque está disponível apenas com tração 4x2. Isso não me impediu de o obrigar a deixar o asfalto. Claro que tem algumas limitações, mas a altura ao solo deixa-o à vontade em pisos mais irregulares. Basta alguma atenção em solos mais arenosos ou mais escorregadios e não esquecer que apenas o eixo dianteiro está a puxar. Mas é no asfalto que a maioria dos condutores vão utilizar um SUV como este. E o Santa Fé passa no teste com boa nota. Adorna um pouco em curva, mas é bastante preciso e o chassis anula bem as duas toneladas de peso. Destaca-se também a boa insonorizarão do habitáculo.

Em resumo, neste final de ciclo o Hyundai Santa Fé continua a ser um produto bem equilibrado e com uma boa relação preço/qualidade. Quem conhece a rota ascendente dos produtos da marca pode ficar tentado a esperar pelo novo modelo, mas um comprador menos emocional ou menos preocupado em ter o futuro Santa Fé tem neste automóvel uma proposta sólida – por exemplo, uma família com mais de dois filhos.

Em percursos todo o terreno, basta ter alguma atenção em caso de solos mais arenosos ou mais escorregadios e não esquecer que apenas o eixo dianteiro está a puxar

Em percursos todo o terreno, basta ter alguma atenção em caso de solos mais arenosos ou mais escorregadios e não esquecer que apenas o eixo dianteiro está a puxar

D.R.

Pelos caminhos da Lousã

A capital do estado do Novo México seria o melhor cenário para este teste, mas como fica longe optei por outro local de fé... mas na Serra da Lousã. Entre parques eólicos, a estrada de terra convida a desbravar terreno. Lá no alto, com o Trevim à vista, o Santo António da Neve ainda é um testemunho dos neveiros onde se acumulava gelo para a casa real. Depois, é descer até à EN2 e rumar a outro caminho com conotação religiosa.

A vila da Lousã é um ponto de passagem de um dos caminhos de Santiago. Vale a pena explorar os percursos pedestres e os mais corajosos podem aproveitar as piscinas naturais, onde a baixa temperatura da água é um desafio. Mesmo ao lado está o Burgo, que figura no guia Boa Cama Boa Mesa do Expresso e que é um exemplo da gastronomia da região. As entradas dão o mote, o Cozido do Talasnal é imperdível e para acabar acompanhe o café com um Burgo. Depois disto o Hyundai Santa Fé seguiu viagem a caminho de casa. Portou-se bem mas levava lastro.

D.R.

Hyundai Santa Fé 2.2

Motor
2199cc
200cv
440nm às 1750 r.p.m. - 2750 r.p.m.

Transmissão
Dianteira
Caixa automática 6 velocidades

Prestações
203 km/h vel. máxima
9,3s 0-100km/h

Consumos
6,6L/100km ciclo misto
174g CO2/km

Preço €56.038