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Há mais 1605 bolsas para alunos que queiram ir estudar para o interior

FOTO RUI DUARTE SILVA

No próximo ano letivo, o Governo vai disponibilizar mais bolsas - com um valor anual de €1500 - para alunos que escolham estudar em universidades do interior do país. Desde o arranque do Programa + Superior registou-se um aumento de 73% no número de bolsas atribuídas

São mais €1500 anuais para quem for estudar para uma universidade no interior do país. No próximo ano letivo, o Governo vai atribuir mais 1605 novas bolsas destas. Para se candidatar, o aluno tem de frequentar uma das 16 instituições de ensino superior inseridas no Programa + Superior e ser bolseiro. Ou seja, as duas bolsas podem ser acumuladas. O objetivo? Abrir o ensino superior a mais pessoas e redistribuir melhor a população estudantil por todo o país.

“Estamos a falar num aumento de 11%. Até agora eram entregues cerca de 1400 bolsas, este ano vão ser mais de 1600 novas bolsas.” Manuel Heitor, ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, sublinha que os valores das bolsas dependem da sua duração: há de três, quatro e cinco anos. No total, em 2018/2019 vão ser cerca de cinco mil bolseiros no âmbito do Programa + Superior.

“Há cada mais pessoas a procurar o programa. Queremos alargar a base social do ensino superior e existem duas condições críticas: se, por um lado, temos tentado conjugar ter mais estudantes no ensino superior através do alargamento da base social, por outro, temos tentado redistribuir melhor os estudantes", afirmou o ministro ao Expresso. "Portugal tem um excesso de concentração de estudantes nos dois principais centros urbanos, quando comparado com outros países”, adiantou Manuel Heitor. No território português, cerca de 55% dos alunos estudam em Lisboa ou no Porto. Em Espanha, apenas 27% dos estudantes estão inscritos em universidades de Madrid e Barcelona.

Atualmente, há 54 municípios no país dotados de instituições de ensino superior. “A ideia é a de ter mais estudantes como elemento de coesão territorial por todo o país, ao mesmo tempo que temos, também, mais estudantes no ensino superior”, acrescenta o ministro. Fazem parte do programa a Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Oliveira do Hospital (Instituto Politécnico de Coimbra), os Politécnicos de Beja, Bragança, Castelo Branco, Guarda, Portalegre, Santarém, Tomar, Viana do Castelo e Viseu, bem como as Universidades dos Açores, Algarve, Beira Interior, Évora, Madeira e Trás-os-Montes e Alto Douro.

“Sabemos que, atualmente, 36% das bolsas de ação social vêm do interior para Lisboa e Porto, portanto o que queremos é também começar cada vez mais a apoiar os jovens que saem do litoral para o interior do país”, diz Manuel Heitor, sublinhando que para isso tem sido feito um trabalho conjunto entre a Direção-Geral do Ensino Superior e as comissões de coordenação regional no âmbito do plano nacional de Coesão Territorial e Valorização do Interior , aprovado na semana passada em conselho de ministros extraordinário e que contempla um apoio de até 1.700 milhões de euros destinado aos territórios de baixa densidade.

O Programa + Superior foi lanlçado no ano letivo 2014/2015 e é designado como uma bolsa de mobilidade. Quem quiser candidatar-se pode fazê-lo até 15 de novembro na plataforma BeOn da direção-geral do Ensino Superior. Os resultados são divulgados no prazo máximo de 30 dias úteis.

Para o próximo ano letivo está previsto que sejam atribuídas 695 bolsas na região centro, 395 no Alentejo, 375 no Norte, 70 no Algarve e mais 40 e 30 nos Açores e Madeira, respetivamente. “O Programa + Superior tem vindo a funcionar numa dimensão muito reduzida e é o primeiro ano em que há um tão grande número de vagas para a mobilidade. Por isso, os números têm de ir crescendo ao longo dos anos”, explica Manuel Heitor. “Isto é uma orientação política, uma estratégia no sentido de os estudantes saberem que se podem candidatar fora da sua zona de residência e têm acesso a mais bolsas.”