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Desfeito o mistério. Sarcófago encontrado em Alexandria não continha restos de Alexandre, o Grande

Getty Images

As autoridades ignoraram os avisos sobre uma possível maldição e abriram mesmo o achado, que tem mais de dois mil anos e cuja dimensão alimentou expetativas sobre a importância de quem guardava. Encontraram, afinal, três esqueletos, que acreditam ter pertencido a oficiais militares ou guerreiros

Há perguntas ainda sem resposta, mas a principal está esclarecida: o sarcófago de granito preto encontrado no início do mês na cidade de Alexandria, Egito, não contém os restos mortais de Alexandre, o Grande.

Apesar dos muitos avisos, postos a circular sobretudo na internet, alertando para o risco de se poder estar a libertar uma maldição, o sarcófago foi mesmo aberto. Dentro, as autoridades egípcias encontraram, esta quinta-feira, três esqueletos, que os exames preliminares aos ossos sugerem ter pertencido a oficiais militares ou guerreiros. O comunicado oficial que refere a descoberta cita Shaaban Abdelmoneim, especialista no estudo de múmias e esqueletos, para especificar que um dos crânios apresenta um ferimento causado por uma flecha.

Sendo o maior alguma vez descoberto em Alexandria, o sarcófago apresentava uma camada de argamassa por baixo da tampa, o que indicava não ter sido aberto desde que foi selado na antiguidade, há mais de dois mil anos, segundo Ayman Ashmawy, chefe do Setor de Antiguidades Egípcias Antigas. Continha também uma grande quantidade de águas residuais, que podem ter ajudado à deterioração do conteúdo.

Encontrado durante uma inspeção numa escavação realizada num terreno particular no bairro de Sidi Gaber, a dimensão do achado foi a razão para se alimentarem expetativas sobre a importância de quem guardava.

Os três esqueletos foram transferidos para os arquivos do Museu Nacional de Alexandria para serem analisados, afirma a mesma nota. “Infelizmente, as múmias no interior não estão nas melhores condições e só os ossos restam”, explicou um dos especialistas.