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A Lua em directo

Neil Armstrong, Michael Collins e Buzz Aldrin Jr, a tripulação da Apolo 11

CORBIS / GETTY IMAGES

Alda Rocha

16 de Julho de 1969, Neil Armstrong, Mike Collins e Edwin Aldrin partem de Cabo Kennedy, nos Estados Unidos, a bordo da Apolo 11, para uma viagem inédita rumo à Lua, onde chegam quatro dias depois.

A Terra parece ter parado nesse dia, enquanto pelo menos 600 milhões de pessoas, de olhos postos no pequeno ecrã, assistem incrédulas à chegada do primeiro homem à Lua.

Tudo decorre tranquilamente e conforme o planeado durante os primeiros dias da missão, mas a tensão vai invadindo não só os astronautas como os técnicos instalados no centro de controlo, em Houston. Ao quarto dia, a nave já está próximo da Lua, onde permanece em órbita estacionária, cerca de 100 a 120 quilómetros acima do satélite natural, enquanto Aldrin e Armstrong descem a bordo do módulo lunar Águia. Michael Collins vê de perto o astro, mas não vai poder tocar-lhe, permanecendo no controlo do módulo de comando Columbia, à espera dos companheiros.

Armstrong e Aldrin ainda apanham um susto quando se acende um sinal de alarme a bordo. Em Houston fica tudo em suspenso e a hipótese de abortar a missão ainda está em aberto. No entanto, o responsável informático acredita que nada de especial está a acontecer e que tudo se deveu a uma sobrecarga de informação do sistema informático.

A tensão atinge o auge. Restam apenas 30 segundos de combustível. O pó levantado com a aproximação do módulo ao solo não permite aos astronautas saber a que distância se encontram, mas logo o contacto, sem sobressaltos, com o solo lhes dá a resposta. Tinham atingido o sugestivo Mar da Tranquilidade.

É o pé esquerdo de Neil Armstrong o primeiro a tocar solo lunar. Não há dúvidas de que chegou a «lua firme». Logo depois, dirá a frase que se transformaria num verdadeiro «slogan» da conquista do espaço: «É um pequeno passo para o homem, um salto gigantesco para a humanidade».

Armstrong ainda permanece sozinho durante 19 minutos, explorando as imediações, enquanto Aldrin se prepara para lhe fazer companhia.

Durante duas horas e 32 minutos, os dois astronautas descrevem o que observam, recolhem amostras, instalam instrumentos científicos e tiram inúmeras fotografias.

Depois chega o momento de esticar a bandeira norte-americana, o que não é tarefa fácil dada a ausência de vento e a dificuldade em espetar a estaca no solo. A NASA tinha proposto que fosse a bandeira das Nações Unidas, mas o Congresso não aprovou a ideia. Curiosamente, um pedacinho de Portugal estava representado naquele pano. A bandeira que viajou até à Lua tinha passado pelas mãos da emigrante portuguesa Maria Isilda Ribeiro na fábrica de Annin, no estado americano de New Jersey.

O regresso, sãos e salvos, a 24 de Julho seria a prova inequívoca de que a aposta feita anos antes pelo Presidente John Kennedy estava ganha, apesar de não estar vivo para o testemunhar.

No entanto, volvidos 30 anos, as previsões entusiásticas da época de colonização da Lua continuam por concretizar. Mas enquanto na altura o motor das conquistas era o braço-de-ferro entre americanos e soviéticos, agora os grandes objectivos espaciais atingem-se em equipa. O projecto da construção da Estação Espacial Internacional em curso, além de reunir os velhos adversários, conta com a participação de diversos países.