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Tancos. Associação de oficiais exige apuramento cabal das causas e eventuais responsáveis militares e políticos

AOFA defendeu que só a investigação judicial em curso poderá determinar “cabalmente o que verdadeiramente possa ter acontecido” em Tancos

A Associação de Oficiais das Forças Armadas apelou nesta quinta-feira para o esclarecimento "cabal e célere" do "alegado furto" de Tancos e que se dê espaço e tempo às autoridades judiciárias para determinarem "eventuais responsáveis", militares e políticos.

Em comunicado hoje divulgado, aquela associação criticou a "auto desresponsabilização" do "poder político" e o "aproveitamento despudorado e irresponsável de situações como a de Tancos" por razões de "querelas partidárias" que "criam alarmismos" e "enfraquecem a instituição militar".

Defendendo a necessidade de preservação e defesa da instituição militar, a AOFA apelou para o "esclarecimento cabal e célere de todas as situações que, como no caso de Tancos, ocorreram ou venham a ocorrer". "Limitando danos, determinando as causas e eventuais responsáveis, a todos os níveis, militares e políticos, atuando em conformidade com a gravidade, alcance e dimensão das responsabilidades de cada um", acrescenta aquela associação.

A AOFA justificou que se refere ao desaparecimento de armamento em Tancos, divulgado pelo Exército a 29 de junho do ano passado, como um "alegado" furto afirmando que "não ousa sequer fazer afirmações sobre as quais não tenha uma razoável margem de garantia de não estar a contribuir para alimentar querelas partidárias ou o agudizar de uma inusitada histeria coletiva".

Manifestando confiança na Justiça, a AOFA defendeu que só a investigação judicial em curso poderá determinar "cabalmente o que verdadeiramente possa ter acontecido" em Tancos, em junho passado, frisando que "continua a importar" dar "o necessário espaço e tempo" às autoridades judiciárias competentes.

A associação, presidida pelo tenente-coronel António Mota, classificou como de "enorme gravidade" as "quezílias e desconfianças" entre entidades judiciais na investigação ao furto de material militar de Tancos e a "violação do segredo de justiça". "Como classificar senão de enorme gravidade os inúmeros episódios que têm vindo a público sobre as `quezílias´, `desconfianças´ e aparentes (ou reais?) `descoordenações´ entre a Polícia Judiciária Militar, a Polícia Judiciária e o Ministério Público?", questionou a AOFA.

A associação de Oficiais considerou ainda de "enorme gravidade" a "constatação diária da violação do segredo de justiça" em relação à investigação judicial sem "que os responsáveis de tais atos sejam identificados e responsabilizados".

Citando partes de acórdãos do Ministério Público relativos à investigação judicial ao furto de Tancos, o Expresso noticiou no passado sábado que além das munições de 9mm, há mais material em falta entre o que foi recuperado na Chamusca, como granadas de gás lacrimogéneo, uma granada de mão ofensiva, e cargas lineares de corte.

Esse material em falta representa, segundo a mesma exposição do Ministério Público, "um perigo para a segurança interna".
Na sequência destas notícias do Expresso, que dá conta ainda de alegados problemas de relacionamento entre a Polícia Judiciária e a Polícia Judiciária Militar, o ministro da Defesa foi questionado no parlamento, dizendo não ter sido informado das discrepâncias no material recuperado, face ao que tinha sido inicialmente anunciado pela Polícia Judiciária Militar e posteriormente confirmado pelo Exército.