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Condutora que atropelou sete pessoas em Famalicão é uma menor sem carta de condução

A condutora de 17, responsável pelo despiste que provocou sete feridos ligeiros entre os assistentes de corrida ilegal em Ribeirão, foi detida no posto da GNR de Famalicão, após ter fugido do local. A menor vai ser presente a interrogatório, esta segunda-feira, no Tribunal de Famalicão

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

As corridas ilegais junto ao Lago Discount, na zona de Ribeira, em Vila Nova de Famalicão, são recorrentes há anos, em regra ao domingo e pela noite dentro. A GNR local e de Barcelos já detiveram dezenas de condutores envolvidos em provas de manobra de perícia perigosas, sobretudo peões, das quais já resultaram centenas de contra-ordenações.

Apesar de frequentes, foi a primeira vez que as corridas irregulares efetuadas nos arruamentos de acesso aos pavilhões do 'outlet' do Lago Discount provocaram feridos, todos ligeiros e que já tiveram alta médica, adiantou ao Expresso a assessoria do Hospital de Famalicão. Segundo o oficial de Comunicação e Relações Públicas do comando Territorial de Braga, Bruno Rodrigues, o acidente foi provocado por uma rapariga de 17 anos, ainda sem licença de condução.

A menor, após a fuga do local do acidente, foi detida no posto da GNR de Famalicão e será sujeita a interrogatório, esta segunda-feira, no Tribunal Judicial de Famalicão. Ao que o Expresso apurou, o despiste terá sido provocado por um embate no passeio “quando a condutora capotou no meio de um pião”. Num concelho dominado pela febre do desporto automóvel, o fenómeno das corridas ilegais tem sido alvo de operações de controlo regulares pelas autoridades desde a inauguração dos pavilhões do Lago Discount em 2004, inicialmente destinados à indústria mas que acabaram transformados em parque comercial. O mega-centro de 112 mil metros e 4 mil lugares de estacionamento acolhe ainda o Museu Automóvel de Famalicão, espaço de mostra de carros antigos ao longo do século XX, e o Museu da Guerra Colonial.

Embora as largas vias entre pavilhões sejam de domínio municipal, após o encerramento da área comercial as ruas entre pavilhões ficam, por norma, desertas e escondidas, o que as transformam em palco de atração para os aceleras locais. No verão de 2015, uma operação da GNR do destacamento de Barcelos, efetuada num domingo à noite, detetou mais de uma dezena de veículos alterados, tendo detido 12 condutores por manobras ilegais e condução perigosa na via publica.

Segundo Ricardo Mendes, vereador com o pelouro da Proteção Civil da Câmara de Famalicão, no verão passado as autoridades locais procederam a várias fiscalizações periódicas no local, tudo indicando que o fenómeno “estaria, senão erradicado, pelo menos controlado”. Apesar de as ruas servirem, sobretudo, funcionários e clientes do Lago Discount, o vereador sustenta ser “impossível” fechar o acesso após os horários de expediente, dado serem ainda uma via de passagem para a freguesia de Ribeirão.

Ricardo Mendes refere que a situação é um caso de polícia, que cabe às autoridades acautelar, bem como a administração de condomínio e do outlet que gere o espaço. O Expresso tentou contactar a JLL, consultora internacional gestora do Lago Discount, que remeteu para mais tarde a divulgação de um comunicado a esclarecer quaisquer questões sobre as condições de segurança do parque comercial.