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PJM apanhou PJ a pôr-lhe um localizador no carro

Episódio é só mais um exemplo do conflito que estalou entre as duas polícias que deviam colaborar na investigação ao assalto a Tancos. PJ pediu acesso a lista de chamadas feitas por dois telemóveis da PJ militar

Vítor Matos

Vítor Matos

Editor de política

Rui Gustavo

Rui Gustavo

Jornalista de Sociedade

O incidente é contado por duas fontes diferentes e próximas da investigação ao assalto a Tancos: um militar da PJM voltava para o carro que conduzia quando surpreendeu um inspetor da PJ a pôr-lhe um localizador na viatura. O episódio ocorreu no Porto e foi só mais um na guerra mais ao menos surda travada entre a PJ e a PJM, as duas polícias que chegaram a investigar juntas o misterioso assalto a Tancos que, um ano depois, está longe de estar resolvido.

O mal estar descambou em rotura quando parte das armas roubadas dos paióis foi abandonada num terreno da Chamusca. Às três da manhã, alguém ligou para o telemóvel do piquete da PJM e avisou que havia umas granadas largadas num terreno. "Levem isto a sério", avisava o cidadão anónimo.

A PJM deslocou-se ao local, levou as armas para Santa Margarida e só sete horas depois, às 10h00 do dia 18 de outubro de 2017, avisou a PJ. Quando se deslocaram ao local, os operacionais da PJ ainda tiveram de esperar cinco horas para conseguir entrar nas instalações militares. O caldo entornou de vez e a PJM acabou por ser afastada da investigação.

Já depois deste incidente, a PJ pediu ao juiz de instrução do processo, Ivo Rosa, que autorizasse o acesso à lista de chamadas feitas e recebidas pelos dois telemóveis de serviço da PJM naquela madrugada de 18 de outubro. O magistrado recusou, alegando que nada "para além do mal-estar entre as duas polícias" justificava o pedido algo inusitado. Mas o Ministério Público insistiu, recorreu para a Relação, argumentou que era preciso apurar que telefonemas foram exatamente feitos naquela noite e os desembargadores concordaram. Descobriu-se que a chamada tinha sido feita de uma cabine pública.

A PJ nunca pediu à PJM que cedesse os registos, nem a informou de que iria recorrer aos meios judiciais para conseguir a lista.

Afinal, soube-se agora, as armas não foram todas devolvidas e ainda estão por encontrar granadas e explosivos suficientes para, segundo o MP, cometer atentados terroristas ou assaltos violentos e "pôr em causa a segurança nacional"