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Sociedade

Administradores dizem que serviços vão ter de ser reduzidos

O presidente da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares, Alexandre Lourenço, assume "grande preocupação" quanto aos "níveis de serviços" que os hospitais públicos vão conseguir prestar, já a partir deste domingo, com a passagem dos enfermeiros, assistentes e técnicos para um horário semanal de trabalho de 35 horas. Os administradores avisam que algumas das atividades programadas, entre as quais cirurgias, poderão ter de ser reduzidas por falta de profissionais.

Com a reposição do horário de trabalho das 40 para as 35 horas semanais (à semelhança do que aconteceu, em 2016, com toda a administração pública), os sindicatos dos profissionais de saúde marcaram greves às horas extraordinárias a partir de 1 de julho. Uma situação que preocupa os responsáveis pela administração dos hospitais públicos. Em declarações à agência Lusa, o presidente da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares adiantou que “a grande preocupação”, já manifestada ao Governo e aos grupos parlamentares, se prende com “os níveis de serviço” que são possíveis prestar a partir desta data.

Atualmente, os hospitais já têm uma “elevada carência de recursos humanos”, principalmente de assistentes operacionais, assistentes técnicos e enfermeiros, disse Alexandre Lourenço.

Por esta razão, “se não existir a reposição dos níveis de disponibilização de recursos humanos que existem atualmente, e que já são escassos para garantir a qualidade, será necessário reduzir a atividade programada que existe atualmente”, ao nível de camas de internamento e do número de cirurgias realizadas diariamente.

Não se trata de “uma situação de rutura do serviço”, mas de “redução de serviço”, vincou.

Na semana passada, o ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, anunciou no parlamento, a contratação, numa primeira fase, de 2.000 profissionais em julho.

A secretaria de Estado da Saúde adiantou, numa resposta enviada à Lusa, que o “planeamento dos recursos humanos tem sido feito de forma regular e atempada” e que “muito do esforço de contratação dos últimos dois anos e meio” visou criar condições para esta transição.

Nesta primeira fase, está em execução um plano de reforço dos diferentes serviços, disse, explicando que os profissionais serão distribuídos, por instituição e entidade, tendo em conta o número de trabalhadores que transitarão para as 35 horas semanais e também as medidas de reorganização que cada entidade está a preparar, tendo em conta vários indicadores, os diferentes contextos locais e regionais, a estrutura de recursos existentes, o perfil assistencial, os níveis de desempenho e as características específicas de cada instituição.

Para Alexandre Lourenço, as 2.000 contratações são “uma boa notícia”, mas são diminutas, observando que a redução equivale a cerca de 12,5% dos recursos existentes nos hospitais.

“Mesmo que venham a ser contratados estes recursos humanos não está previsto qualquer reforço orçamental para que seja possível que estes custos sejam cobertos pelos orçamentos que estão atualmente disponíveis nos hospitais”, sublinhou.