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Vigilante da STCP suspenso após violenta agressão a jovem colombiana

Rapariga de 21 anos, a viver em Portugal desde a infância, apresentou queixa à PSP, na madrugada de São João, após ter sido confrontada com ofensas raciais e violentas agressões por parte de um fiscal da empresa de segurança 2045, sub-contratada pela STCP. Queixa-crime segue para o Ministério Público

O relógio marcava as 5h da manhã de domingo, quando um cenário de brutalidade pôs fim a uma noite à noite de São João para Nicol Quinayas. “Aqui não entras, preta de merda”. Esta foi uma das ofensas, seguidas de violentas agressões físicas, de que a colombiana de 21 anos, a viver desde a infância em Portugal, foi alvo por parte de um fiscal da STCP, quando aguardava na paragem do Bolhão pelo autocarro da linha 800, no qual foi impedida de entrar. A jovem, acompanhada por duas amigas, foi atacada com socos e teve de ser transportada para o Hospital Santo António, apresentando um traumatismo facial. O ofensor terá ainda gritado: “estes pretos não aprendem”.

Nicol, em declarações ao Público, queixa-se igualmente de não ter sido ouvida no local por parte da Polícia Segurança Pública, chamada a intervir. O alegado agressor - funcionário da 2045 - Empresa de Segurança S.A., sub-contratada pela STCP para prestar serviço de vigilância - encontra-se neste momento suspenso, enquanto decorre um processo de averiguação interna.

O caso foi testemunhado por várias pessoas presentes no local e um vídeo foi colocado a circular na internet confirmando as agressões, que levaram a que a jovem ficasse com hematomas na face visivelmente inchada e ensanguentada. O bárbaro ato terá sido originado por uma questão de índole racista, uma vez que Tânia, que acompanhava Nicol, conta que ouviu o funcionário dizer-lhes - “vão apanhar o autocarro para a vossa terra” -, depois de ter deixado entrar no autocarro uma terceira amiga caucasiana.

O Expresso tentou em vão contactar a 2045,que, em comunicado, confirma a ocorrência nos STCP do Porto, na noite de São João “pelas 5h30/6h”. A 2045- Empresa de Segurança, S.A., que na sua página oferece como cartão de visita 'Soluções à Medida' e 25 anos de experiência, adianta que a ocorrência foi comunicada à PSP “que esteve presente no local”.

No curto comunicado, a 2045 confirma ainda ter iniciado “um processo de averiguações interno que está a decorrer”, adiantando ter cerca de 3000 funcionários, entre vigilantes e colaboradores da estrutura, “sendo que estão inseridos na equipa elementos de várias etnias, sem qualquer tipo de discriminação de nacionalidade, religião, raça ou género”.

Também a STCP optou por prestar informações por escrito, confirmando a situação ocorrida na madrugada da maior festa da cidade do Porto, “envolvendo uma jovem e o fiscal da empresa 2045”, alvo de processo de averiguação interno. A transportadora refere que a PSP foi chamada ao local por um dos funcionários da própria STCP, que identificou os dois protagonistas. Além de repudiar qualquer tipo discriminação ou ato de violência, a STCP remete a responsabilidade para a 2045 e assegura que o referido fiscal “não se encontra a prestar serviço para a STCP até ao final do inquérito em curso”.

A ofendida apresentou queixa-crime à PSP, processo que irá ser investigado pelo Ministério Público.