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Suspeitas sobre empresa que mantém os jardins do Europarque explicam buscas da Judiciária

Em causa está a firma AmbiGold e a alegada acusação de corrupção contra Carlos Eduardo Reis, que, segundo o autarca da Feira, será de Braga e “é um dos sócios da referida empresa

A Câmara de Santa Maria da Feira confirmou nesta quarta-feira que a Polícia Judiciária realizou buscas nas instalações da autarquia, ficando na posse de documentação relativa à empresa que faz a manutenção dos jardins do centro de congressos Europarque.

"A Polícia Judiciária veio cá no âmbito de um processo do Ministério Público de Lisboa relativo à empresa que venceu o nosso concurso público para a manutenção dos espaços verdes do Europarque e demos-lhe toda a informação que nos pediu", revelou à Lusa o presidente da Câmara da Feira, Emídio Sousa.

Em causa está a firma AmbiGold e a alegada acusação de corrupção contra Carlos Eduardo Reis, que, segundo o autarca da Feira, será de Braga e "é um dos sócios da referida empresa".

A Polícia Judiciária (PJ) realizou hoje cerca de 70 buscas, incluindo a autarquias, sociedades e instalações partidárias, no continente e no arquipélago dos Açores, segundo a Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa (PGDL), adiantando estarem em causa crimes económicos, como corrupção. No âmbito deste inquérito investigam-se crimes de corrupção passiva, tráfico de influência, participação económica em negócio e financiamento proibido.

Entre a documentação entregue à Judiciária inclui-se todo o processo do concurso público realizado em 2016 e também informação relativa ao contrato que permitiu à AmbiGold iniciar a prestação de serviços no Europarque no arranque de 2017.

"Eu nem sequer conheço o senhor a que a investigação se refere porque todo o processo foi conduzido pelos serviços jurídicos da Câmara, mas não temos nada a esconder e estamos disponíveis para ceder ao Ministério Público tudo de que precisar", garante Emídio Sousa.

Quanto ao desempenho da AmbiGold na gestão dos extensos jardins e lagos do Europarque, o presidente da Câmara da Feira afirma: "Isso passa mais pela supervisão da empresa municipal Feira Viva, mas acho que não temos motivo de queixa".
Contactado pela Lusa, o diretor-geral da Feira Viva confirma: "Os jardins tiveram uma evolução bastante positiva desde que a empresa começou a trabalhar neles".

"Tem sido sempre em regime de outsourcing, mas isso foi uma mais-valia significativa para toda a envolvente do centro de congressos, que estava bastante degradada antes de a Feira Viva assumir a gestão do Europaque".

Contactada a sede da AmbiGold, em Barcelos, as chamadas não foram atendidas. A notícia da realização desta operação foi adiantada pela edição 'online' da revista Sábado que, entretanto, enumerou um conjunto de autarquias que foram alvo de buscas, incluindo a Câmara de Santa Maria da Feira.