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Apresentação do Guia Michelin em Lisboa vem “no momento certo”

Zero Creatives GmbH/Getty

Bento dos Santos disse acreditar que o evento, que atrai anualmente centenas de convidados e mais de 120 meios de comunicação, “vai ter uma repercussão enormíssima”

O presidente da Academia Portuguesa de Gastronomia, José Bento dos Santos, defendeu nesta segunda-feira que a realização da gala de apresentação do Guia Michelin em Lisboa, pela primeira vez, ocorre "precisamente no momento certo" para a cozinha nacional.

"Esta gala vem precisamente no momento certo. Se viesse há anos, possivelmente não tínhamos massa crítica para mostrar ao mundo aquilo que valemos, embora a nossa cultura estivesse cá, mas entretanto estes chefs fantásticos estavam a crescer. Mais para a frente, já começava a fazer falta", disse à Lusa, no final da cerimónia de anúncio da realização da gala de apresentação da edição de 2019, que decorre em 21 de novembro no Pavilhão Carlos Lopes.

Bento dos Santos disse acreditar que o evento, que atrai anualmente centenas de convidados e mais de 120 meios de comunicação, "vai ter uma repercussão enormíssima", premiando "sobretudo esta nova geração de chefs extraordinários, que vão mostrar a todo o mundo que vale a pena vir a Portugal para comer muito bem".

Trata-se de "uma recompensa merecida" para a gastronomia portuguesa, considerou o jornalista do diário espanhol ABC Carlos Maribona. Para o especialista em gastronomia, e grande conhecedor da cozinha portuguesa, a realização da gala em Lisboa "já deveria ter ocorrido há dois ou três anos".

É um reconhecimento da "grande mudança que houve no mundo da gastronomia em Portugal nos últimos anos", disse o jornalista. "A gala reconhece esse esforço que fizeram os chefs para colocar a gastronomia portuguesa a nível internacional", considerou.

Apesar de se ter assistido a uma "mudança muito rápida", Maribona acredita que "é para o futuro". "Pode haver quatro ou cinco chefs muito bons que revolucionem, mas se não houver nada por trás, é muito difícil que se mantenha. No entanto, o que vemos todos os anos é que aparecem chefs jovens que vão preenchendo essa base", sustentou.

Questionado sobre se nesta gala poderá ser anunciada a primeira distinção de três estrelas (a distinção máxima) para Portugal, o jornalista espanhol defendeu que o restaurante Belcanto (duas estrelas, em Lisboa, de José Avillez) "já está num nível muito próximo; se não, já falta pouco".

Por outro lado, Maribona espera que mais restaurantes alcancem a segunda estrela: "Para mim, os dois mais claros são Alma [de Henrique Sá Pessoa] e Feitoria [de João Rodrigues], são os que têm uma cozinha com mais raiz, com mais essência". Porém, ressalvou: "São apostas. Com a Michelin nunca se pode apostar e eu perco sempre todas as apostas".