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Cianobactérias, do Porto para o mundo

Uma coleção de cianobactérias instalada no Porto, constituída por 386 estirpes e que já serviu de base para novos compostos aplicados em fármacos, deu origem a um artigo publicado em junho na revista científica holandesa Journal of Applied Phycology

Uma coleção de cianobactérias instalada no Porto, constituída por 386 estirpes e que já serviu de base para novos compostos aplicados em fármacos, deu origem a um artigo publicado em junho na revista científica holandesa Journal of Applied Phycology.


"As cianobactérias, conhecidas anteriormente como microalgas azuis, são bactérias fotossintéticas muito antigas, tendo sido os primeiros organismos a produzir oxigénio na Terra", informou o Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental da Universidade do Porto (CIIMAR), onde está instalada a coleção LEGE CC, composta por estirpes de meios marinhos, estuarinos e dulciaquícolas, maioritariamente de origem portuguesa (84%).


Estas bactérias aquáticas são, ainda hoje em dia, "responsáveis por cerca de 50% do oxigénio que respiramos, podendo também produzir hidrogénio e fixar azoto atmosférico, contribuindo, assim, para a fertilização natural de solos de áreas inundadas, como arrozais", acrescenta o comunicado.


"Muitas destas cianobactérias têm sido testadas em termos de atividade farmacológica, levando à importante descoberta de novos fármacos com capacidade anticancerígena, antimicrobiana, anti-obesidade e antimalárica", indicou o director do CIIMAR, Vítor Vasconcelos, referido no documento.


De acordo com o professor da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP), "a facilidade de produção de biomassa tem incentivado a sua investigação e utilização como fonte de proteínas em dietas animais ou suplementos alimentares humanos".


Além disso, continuou o coordenador da equipa de Biotecnologia Azul e Ecotoxicologia do CIIMAR, responsável pela coleção, a sua capacidade de resistir a radiação luminosa elevada torna-as "muito interessantes para o desenvolvimento de produtos cosméticos e de protectores solares".


Segundo Vítor Vasconcelos, tal como sucede com os jardins botânicos e zoológicos, uma colecção deste tipo "é um importantíssimo repositório de biodiversidade", com relevância para a compreensão da evolução da vida na Terra e com implicações biotecnológicas, "capazes de gerar produtos e serviços com um impacto económico significativo, de forma sustentável".


A partir desta coleção, registada na World Federation of Culture Collections, já foram isolados novos compostos, como as portoamidas (com funções na inibição do crescimento de microalgas), a hierridina-C (com atividade anti-malárica) e as bartolosidas (compostos antivegetativos para aplicar em tintas para navios ou antibiofilme).


A colecção LEGE CC tem integrado projetos europeus e nacionais, como o INNOVMAR (Novelmar - Novel marine products with biotechnological applications), financiado pelo Norte 2020, o VALORMAR (valorização integral dos recursos marinhos: potencial, inovação tecnológica e novas aplicações) e o ALGAVALOR (produção integrada de microalgas e valorização das suas diversas aplicações).