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Expedição da Fundação Oceano Azul descobre novo campo hidrotermal no mar dos Açores

O robô submarino ROV LUSO descobriu num dos seus mergulhos no mar dos Açores o novo campo hidrotermal

Nuno Sá

Está a 570 metros de profundidade e a 111 km da ilha do Faial, sendo a primeira vez que uma expedição portuguesa localiza em território marítimo nacional este tipo de estrutura vulcânica, onde se podem desenvolver ecossistemas que não dependem da luz do Sol

Virgílio Azevedo

Virgílio Azevedo

Redator Principal

A expedição científica Oceano Azul, liderada pela fundação portuguesa do mesmo nome, que gere o Oceanário de Lisboa, acaba de descobrir um novo campo hidrotermal no mar dos Açores, a 570 metros de profundidade e a 111km da ilha do Faial, no monte submarino Gigante. É a primeira vez que uma expedição organizada por uma instituição portuguesa, liderada por cientistas portugueses e utilizando navios e meios nacionais, localiza um campo hidrotermal em águas profundas no território marítimo de Portugal.

Um campo hidrotermal é uma zona de elevada riqueza biológica e mineral no fundo do mar, onde emergem fluidos quentes frequentemente relacionados com vulcanismo, ricos em minerais, que criam as condições para o desenvolvimento de um ecossistema único que não depende da luz do Sol. Atualmente são conhecidos oito campos hidrotermais profundos ao largo dos Açores: “Lucky Strike” (o primeiro a ser descoberto, em 1992), “Menez Gwen", “Rainbow", “Saldanha", “Ewan", “Bubbylon”, “Seapress" e “Moytirra”. Os estudos científicos neles realizados, nos quais os cientistas do Instituto do Mar (IMAR) e da Universidade dos Açores têm tido um papel relevante, têm permitido aumentar o conhecimento destes ecossistemas e dos recursos minerais a eles associados.

A maioria dos campos hidrotermais localiza-se em zonas de fronteira de placas tectónicas divergentes, como é o caso da Dorsal Médio-Atlântica que separa o grupo ocidental do grupo central do arquipélago dos Açores, precisamente onde se encontra o monte submarino Gigante.

A expedição organizada pela Fundação Oceano Azul (FOA) é feita em parceria com a Waitt Foundation (EUA) e a National Geographic Pristine Seas (EUA), em colaboração com a Marinha Portuguesa através do Instituto Hidrográfico, o Governo Regional dos Açores e a Estrutura de Missão para a Extensão da Plataforma Continental (EMEPC), que participa com o robô submarino ROV LUSO. Foi num dos mergulhos deste robô que o novo campo hidrotermal foi descoberto pelos cientistas da expedição, que seguem a bordo do navio “NRP Almirante Gago Coutinho”, do Instituto Hidrográfico.

Promover a conservação marinha

Segundo a FOA, "esta é uma das mais completas expedições realizadas em águas nacionais e tem como objetivo explorar zonas ainda pouco conhecidas do mar dos Açores para promover a conservação marinha", no âmbito do seu programa “Blue Azores”. O programa, com a duração de três anos, pretende promover, proteger e valorizar o capital natural marinho do arquipélago dos Açores.

Emanuel Gonçalves, líder da expedição e administrador da FOA, sublinha que “é uma descoberta extraordinária, pois este campo hidrotermal encontra-se a menor profundidade do que outros conhecidos na Dorsal Médio-Atlântica e apenas a 60 milhas da ilha do Faial, o que para a comunidade científica representa uma oportunidade única, mais acessível, para conhecermos melhor estes ecossistemas dos quais sabemos ainda muito pouco". O biólogo diz que "esta descoberta reforça o papel único dos Açores como laboratório natural para o estudo do oceano”.

Telmo Morato, coordenador da equipa da expedição Oceano Azul dedicada aos ecossistemas de profundidade e investigador do IMAR e da Universidade dos Açores,acrescenta que “o campo hidrotermal é composto por múltiplas chaminés de diferentes alturas". Os fluídos hidrotermais "são transparentes, ligeiramente mais quentes que o exterior e ricos em dióxido de carbono". E foram encontradas "evidências da existência de bactérias".

Participam na expedição cientistas de vários centros de investigação nacionais, como o IMAR (Universidade dos Açores), o Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE), o CCMAR (Universidade do Algarve) e o CIBIO (Universidade do Porto). E centros de investigação internacionais das universidades do Havai, da Califórnia em Santa Bárbara e da Austrália Ocidental, bem como o Conselho Superior de Investigações Científicas (Espanha), o Instituto Espanhol de Oceanografia e o Museu do Mar de Ceuta.