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Sociedade

População volta a descer em Portugal mas com menos intensidade

Pela primeira vez nos últimos seis anos, em 2017, a imigração voltou a ser superior à emigração em Portugal

João Carlos Santos

O país perdeu cerca de 19 mil habitantes em 2017. Apesar da descida de população, o saldo migratório voltou a valores positivos pela primeira vez nos últimos seis anos e isso significa que houve mais pessoas a entrar do que a sair do país

A população residente em Portugal voltou a descer em 2017, mas a queda foi menos intensa do que nos anos anteriores. O país tem agora 10.291.027 habitantes, menos cerca de 19 mil do que em 2016, como mostram as estimativas da população divulgadas esta sexta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

Ainda que se mantenha a tendência de decréscimo populacional que já vem desde 2010, os números permitem ver um abrandamento dessa descida no ano passado, sobretudo quando comparada com as quedas intensas dos últimos quatro anos.

Por trás desse abrandamento está sobretudo o facto de, pela primeira vez ao fim de seis anos, o saldo migratório ter voltado a valores positivos. Isso significa que em 2017 houve mais imigrantes do que emigrantes, ou seja, entraram mais 4886 pessoas em Portugal do que aquelas que saíram.

Por outro lado, o saldo natural, que resulta da diferença entre os óbitos e os nascimentos, manteve-se negativo. O INE mostra que houve mais 23.432 óbitos do que nascimentos, um valor semelhante ao que tinha sido registado no ano anterior. O facto de, afinal, terem nascido menos 972 bebés em 2017 do que em 2016 não ajudou a melhorar este saldo (registaram-se 86.154 nascimentos no ano passado).

Ainda assim, o indicador que mede o número médio de filhos por mulher registou uma ligeira melhoria, o que já é positivo. O chamado índice sintético de fecundidade passou de 1,36 para 1,37. Este valor, usado para comparar a natalidade entre os vários países, chegou a descer aos 1,21 filhos por mulher em 2013, no pico do período de crise em Portugal.

Um país ainda mais velho

O que continua a acentuar-se é o envelhecimento: numa década, a idade média da população aumentou três anos, situando-se agora nos 44,2 anos. E, segundo os dados divulgados esta sexta-feira pelo INE, uma em cada cinco pessoas em Portugal tem mais de 65 anos (21,5% do total).

As estimativas continuam a apontar para uma perda de população no país até 2080, passando dos atuais 10,29 milhões para 7,7 milhões de residentes, ficando abaixo dos 10 milhões em 2033. O número de jovens diminuirá de 1,4 milhões para 900 mil e o número de idosos passará de 2,2 para 2,8 milhões, mostra o INE.

[artigo atualizado às 12h19]