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Tudo a postos para a praia

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Quase 6 mil nadadores-salvadores estão prontos para entrar nos areais portugueses e proteger os veraneantes. O maior perigo reside mesmo nos comportamentos dos próprios banhistas

Carolina Reis

Carolina Reis

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Jornalista

Carlos Esteves

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Esta época balnear — que abriu a 1 de maio, apesar de o tempo ainda não estar ao nível esperado para esta estação — há 5212 nadadores-salvadores certificados pelo Instituto de Socorros a Náufragos (ISN). A esta entidade cabe apenas a regulação da qualificação dos nadadores. O ISN licencia as respetivas escolas, certifica — ou requalifica — os nadadores através de um exame e emite o cartão de profissional da atividade. Este ano há mais 947 novos nadadores-salvadores, entre novos e requalificados, e estão ainda a decorrer 21 cursos, com cerca de 30 alunos por formação, estando previstos mais cinco.

“Contratar nadadores é uma responsabilidade dos concessionários. Quando não existe concessão, as Câmaras costumam contratar os nadadores. Até há situações em que são feitas parcerias”, frisa Fernando Fonseca, da AMN.

Apesar de as praias vigiadas serem as mais seguras, as não vigiadas também são fiscalizadas por nadadores-salvadores e Polícia Marítima, que, não estando na zona em permanência, se deslocam ao areal para se certificarem de que os veraneantes estão a cumprir as regras de segurança. Num estilo a ‘imitar’ a mítica série de televisão “Baywatch” (protagonizada por David Hasselhoff e que se debruçava sobre a vida de um conjunto de nadadores-salvadores em populares estâncias balneares nos EUA), a AMN estabeleceu uma parceria com a SIVA, uma empresa privada, que disponibiliza 28 viaturas, tipo pickup, que se assemelham com os carros usados na série. São veículos fundamentais para prestar assistência aos banhistas nas zonas não vigiadas. A partir de 15 de junho e até 15 de setembro, a Marinha irá reforçar estas carrinhas com 40 militares com um curso de suporte básico de vida e oxigenoterapia.

“Circulam pelas praias e fazem também sensibilização com os banhistas”, sublinha Fernando Fonseca. Mas as praias portuguesas contam com outro programa importante, o Praia Saudável, que arranca já esta semana pelo 12º ano consecutivo. Promovido em 2005 pela Fundação Vodafone Portugal em parceria com a Autoridade Marítima Nacional, a Agência Portuguesa do Ambiente, o Instituto Nacional para a Reabilitação e a Associação Bandeira Azul da Europa, abrange 185 zonas balneares de Portugal Continental e Regiões Autónomas.

“Todos nós nos lembramos, em 2004, de ver nas televisões e nos jornais notícias de mortes nas praias, e foi aí que começámos a pensar no projeto. Totaliza 15 milhões de euros de investimento entre equipamento e serviços”, explica Ana Mesquita, da Fundação Vodafone. Trata-se de uma gestão feita pela Fundação e operacionalizada no terreno pelos vários parceiros, dividindo-se entre campanhas de sensibilização, que incluem trabalhos com escolas e distribuição de cinzeiros nas praias.

O projeto já abrangeu 300 mil crianças, na campanha Verão de Campeão; permitiu que 20 mil pessoas com mobilidade reduzida pudessem ir à praia, com a ajuda das 155 cadeiras anfíbias; fez 743 salvamentos de banhistas; assistiu 1220 pessoas; distribuiu mais de 4,5 milhões de cinzeiros e 25 máquinas de limpeza do areal. “Construímos também uma rede de comunicação privada em 258 postos de praia, que contabilizam já mais de 350 mil chamadas de socorro ou de apoio”, diz Ana Mesquita.

São todos meios humanos e técnicos que fazem a diferença e que ajudam a reduzir o número de mortes nas praias. Contudo, o maior perigo da época balnear está este ano, como em todos os outros, nas mãos dos veraneantes. “Muitas vezes, a Polícia Marítima chega ao pé das pessoas que estão debaixo dos rochedos e explica-lhes que se devem afastar. As pessoas até dizem que sim, mas depois a Polícia vira costas e elas voltam. Sabem que a probabilidade de acontecer é baixa e arriscam”, frisa Fernando Fonseca.

É uma das alturas mais esperadas do ano: a abertura da época balnear. Sinónimo de lazer e de férias, a praia é um dos destinos favoritos durante o tempo quente. E os portugueses são uns sortudos, já que têm praias de norte a sul do país — sem contar com as praias fluviais — e com um extenso areal e beleza natural. Ao todo, há 664 praias, 537 marítimas e 127 fluviais.

Mas o facto de estarem ‘aptas’, ou seja, de cumprirem os requisitos ambientais e de serem próprias para banhos, não significa que sejam aconselháveis. Não é por estarem poluídas, é porque nem todas as 664 têm as condições de segurança necessárias. Isto é, nem todas são vigiadas.

E se pode ser agradável a ideia de ir para uma praia deserta, é importante lembrar que entre o areal e o mar se escondem inúmeros perigos, desde os rochedos em risco à força das ondas do mar, passando pela intensidade do sol. É melhor ter alguém por perto a fiscalizar os banhos de mar e de sol.

Apesar de as mortes terem vindo a diminuir, no ano passado morreram duas dezenas de pessoas. A maioria (16) em praias não vigiadas e quatro em praias vigiadas. Oito pessoas perderam a vida no mar, em praias onde não existiam nadadores-salvadores, e as restantes mortes foram causadas por síncope cardiorrespiratória (tomar banho de água fria depois de uma grande refeição ou depois de ter ingerido álcool; tomar banho de água fria depois de ter praticado exercício físico intenso; tomar banho de água fria depois de uma exposição prolongada ao sol) ou enfarte do miocárdio; e há cinco mortes cuja causa se desconhece.

“É de salientar que não houve nenhuma morte por afogamento em praias vigiadas”, sublinha Fernando Fonseca, comandante da Autoridade Marítima Nacional (AMN). Quando se fala em vigilância, fala-se, essencialmente, de nadadores-salvadores, mas não só. Contam, e muito, os meios de que estes dispõem, como motas de água ou carros-patrulha. Uma responsabilidade que pode ser do concessionário, do restaurante/bar de praia, ou das autarquias.