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Bando de menores assaltava e agredia taxistas

Foto Nuno Botelho

A Polícia Judiciária não tem memória de um grupo tão grande de jovens envolvidos em assaltos com armas de fogo. Os seis, com idades entre os 13 e 17 anos, atuavam quase sempre da mesma forma: chamavam um táxi e, no final da viagem, roubavam o condutor. Fizeram-no por mais de dois meses, agora foram identificados e vão ser presentes a tribunal

Final da tarde, centro de Lisboa. Um rapaz faz uma chamada telefónica e pede um táxi. Espera um pouco e, do outro lado da linha, alguém lhe responde: “já vai a caminho”. Quando o carro para, tem dois jovens à espera. Destino? Cascais. São pouco mais de 30 quilómetros de distância, o trajeto demora cerca de meia hora. Ao chegarem ao local, começam as ameaças. Do banco de trás, os dois rapazes insultam e apontam pistolas e facas ao taxista. Exigem-lhe dinheiro, telemóvel, documentos pessoais. Querem tudo o que possam levar. E levam. Este era o modo de atuação típico de um grupo de seis jovens menores de idade, com idades entre os 13 e os 17 anos, que foi desmantelado pela Polícia Judiciária. Esta quinta-feira vão a tribunal.

“Não tenho conhecimento de um caso com tantos indivíduos com tão pouca idade e recurso a armas de fogo”, refere ao Expresso o coordenador de investigação criminal da Diretoria de Lisboa e Vale do Tejo da Polícia Judiciária, encarregue da investigação por os assaltos envolverem armas de fogo. O grupo de seis é todo comporto por rapazes — um de 17 anos, dois de 16, um de 15, um de 14 e outro de 13.

Os maiores de 16 anos, considerados os autores e “fortemente indiciados” pela prática de vários crimes de roubo agravado, vão ser ouvidos pela primeira vez e conhecer as medidas de coação esta quinta-feira. Já os mais novos, identificados como coautores dos crimes, apresentam-se ao Tribunal de Família e Menores, que vai deliberar se as famílias têm ou não condições para continuar responsáveis por eles — podem até ser institucionalizados.

Os assaltos ocorriam sempre da mesma forma: chamavam o táxi e já no final da viagem roubavam o condutor. No entanto, o grupo não tinha dia fixo, faziam-no com regularidade ao final do dia e, habitualmente, partiam de Lisboa ou da Amadora. Seguiam sempre para Cascais, perto da zona onde moravam. Por vezes, durante o roubo, agrediam os taxistas com pontapés e muros.

“Face à gravidade das ofensas à integridade física, algumas das vítimas necessitaram de receber tratamento hospitalar”, informa a Polícia Judiciária.

Mais de uma dezena de assaltos

Os primeiros assaltos começaram em meados de abril, continuaram até maio. Tanto podiam ser dois ou três a fazer o assalto como apenas um, sozinho. “Ainda estamos a apurar números, mas foi seguramente mais de uma dezena de assaltos”, confirma o responsável pela investigação.

Apesar de serem todos menores de idade, nada aponta para que os crimes fossem feitos a mando de alguém. As autoridades acreditam que os jovens agiam por conta e vontade própria.

Entre o grupo há laços familiares, assegura ao Expresso fonte policial sem precisar quais as ligações entre os membros. Pelo menos um deles estava sinalizado pela Comissão de Proteção de Crianças e Jovens e encontrava-se institucionalizado. Embora nenhum tivesse antecedentes em investigações da PJ, alguns já tiveram problemas no passado com a PSP e a GNR, sobretudo devido a roubos na via pública (sem recurso a armas).

No seguimento da investigação, que decorre no âmbito da Operação “Táxi Seguro” e é conduzida pela Diretoria de Lisboa e Vale do Tejo, a PJ cumpriu uma série de mandados de busca domiciliária e conseguiu recuperar “alguns dos telemóveis e documentos roubados” e droga.

Agora, as autoridades continuam a trabalhar no caso para “apurar toda a extensão da atividade criminosa dos detidos” e confirmar se não há mais gente envolvida.