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Maioria das mulheres com cancro da mama pode não precisar de quimioterapia

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Cerca de 70 mil doentes com o tipo de cancro da mama mais comum em fase inicial podem ser poupados à quimioterapia todos os anos, nos Estados Unidos e em outros locais, concluem resultados do maior estudo realizado sobre tratamentos para o cancro da mama

Milhares de mulheres poderão evitar a quimioterapia, e os seus efeitos secundários, com uma nova abordagem médica descoberta no maior estudo realizado sobre tratamentos para o cancro da mama.

Segundo os resultados do estudo, cujos resultados serão discutidos este domingo numa conferência sobre cancro em Chicago e publicados na revista científica “New England Journal of Medicine”, cerca de 70 mil doentes deste tipo de cancro em fase inicial podem ser poupados à quimioterapia todos os anos, nos Estados Unidos e em outros locais. E, assim, evitar a náusea, vómitos, queda de cabelo, fadiga e outros efeitos secundários que lhe estão associados.

“Através da estratificação do cancro da mama e da descoberta que apenas aqueles com maior risco de reincidência precisam de ter quimioterapia, em função da genética do tumor, o estudo mostra grande potencial para disponibilizar às mulheres tratamentos mais leves sem comprometer a sua eficácia”, explica ao jornal “The Guardian” o professor Arnie Purushotham, especialista sénior no Instituto para Pesquisa do Cancro no Reino Unido.

O estudo analisou mais de 10 mil mulheres entre os 18 e os 75 anos, que realizaram um tipo de biópsia que analisa 21 genes de células cancerígenas. Tendo como base a probabilidade de reincidência do cancro nos dez anos seguintes, o teste classificou as mulheres entre 0 e 100.

Os investigadores já sabiam que as mulheres com classificações entre 0 e 10 (cerca de 17% das mulheres do estudo) não beneficiavam da quimioterapia e que as que tinham risco igual superior a 26 beneficiavam. Mas faltava analisar as mulheres que estavam no meio, 69% das 10.273 mulheres testadas.

De forma aleatória, umas receberam apenas terapia endócrina e outras uma combinação desta terapia e de quimioterapia. E quando os resultados chegaram os investigadores concluíram que, em função da sua idade, as mulheres que receberam apenas terapia endócrina não tiveram uma evolução pior do que as que também foram tratadas com quimioterapia.

“O nosso estudo mostra que a quimioterapia pode ser evitada em cerca de 70% destas mulheres, limitando a quimioterapia aos 30% que sabemos que podem beneficiar com ela”, sublinha o autor principal do estudo, Joseph Sparano, diretor associado de investigação clínica no Centro de Cancro Albert Einstein e Sistema de Saúde de Montefiore em Nova Iorque.

  • Intervenção só beneficia 2% dos homens. Nas mulheres com tumores iniciais, 46% não teriam de fazer quimioterapia. Republicamos aqui o artigo da edição do Expresso de 24 de setembro de 2016