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Mais de 60% dos jovens têm relações sexuais sem preservativo

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Em Portugal, um terço dos infetados pelo VIH/Sida tem menos de 30 anos. Estudo da Universidade de Lisboa apresentado este sábado revela que os jovens da região Norte e das Ilhas são os que revelam maior desconhecimento sobre as formas de transmissão da doença

Joana Pereira Bastos

Joana Pereira Bastos

Editora de Sociedade

Cerca de 97% dos jovens portugueses entre os 18 e os 24 anos sabem que podem ficar infetados pelo VIH/Sida se tiverem relações sexuais desprotegidas, mesmo que seja só uma vez, e quase todos (94%) têm noção que uma pessoa pode parecer muito saudável e, ainda assim, ter o vírus. Estão genericamente bem informados, mas o conhecimento nem sempre é sinónimo de prudência. A verdade é que mais de 60% assumem ter relações sem preservativo, de acordo com um estudo da Universidade de Lisboa (UL).

Apresentado este sábado na Faculdade de Motricidade Humana da UL, o estudo "Vida sem Sida", baseado num inquérito a 1166 jovens entre os 18 e os 24 anos de todo o país, revela que a grande maioria (78,8%) diz ter usado proteção na primeira relação sexual, mas apenas 48% o fizeram da última vez que tiveram sexo e só 37% garantem usar sempre.

As mulheres mostram ter melhores conhecimentos do que os homens em relação às formas de transmissão da doença. Ainda assim, são elas que mais admitem não usar sempre preservativo, por recorrerem a outro método contracetivo (a pílula) que, no entanto, não impede a infeção.

O uso do preservativo tem vindo a cair nos últimos dez anos. Segundo a investigadora Margarida Gaspar de Matos, que coordenou o estudo, o facto de a Sida se ter transformado numa doença crónica e já não ser sinónimo de morte certa pode estar a levar os jovens a desvalorizar a importância da proteção.

Mitos sobre formas de infeção ainda subsistem

Por outro lado, o inquérito revela que 92% dos jovens não se recordam da última vez que viram uma campanha ou uma mensagem de prevenção em relação ao VIH e só 61% dizem ter tido programas de educação para a prevenção da doença no ensino secundário.

Os números são especialmente alarmantes, tendo em conta que cerca de um terço dos infetados em Portugal tem menos de 30 anos e um em cada seis (15,6%) tem entre 15 e 24. E o país, sublinha o estudo, tem das mais altas taxas de infeção da União Europeia.

Por isso, os investigadores frisam a importância de "continuar a investir na educação sexual nas escolas e na comunidade" e de apostar em mais campanhas de esclarecimento. Até porque ainda subsistem alguns mitos no que diz respeito à transmissão da doença: 27% dos jovens ainda acham que podem ficar infetados por comer com os mesmos talheres de alguém que tem o vírus e 12% estão convencidos de que o VIH pode ser transmitido através de um espirro.

Segundo o estudo, são os jovens dos Açores e da Madeira e da região Norte e, de uma forma geral, aqueles que não frequentam a universidade que estão em maior risco, por revelarem mais desconhecimento em relação à doença ou por usarem menos proteção.

De acordo com os resultados do inquérito, quase 90% dos jovens entre os 18 e os 24 anos já tiveram relações sexuais. Em média, iniciaram a vida sexual por volta dos 16 anos.