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Estradas do Pinhal de Leiria fechadas por risco de queda de árvores

Depois das chamas, o perigo das derrocadas e das quedas de árvores. O Pinhal do Rei está ferido

nuno botelho

O presidente da Câmara Municipal de Marinha Grande adiantou ao Expresso que 86% do Pinhal de Leiria ficou destruído pelas chamas. Estradas vão ser fechadas devido ao perigo de derrocadas. O ministro da Agricultura esteve esta manhã reunido com responsáveis da autarquia.

Nuno Botelho

Nuno Botelho

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Fotojornalista

Ao todo, ardeu 86% do Pinhal de Leiria, adiantou ao Expresso o presidente de Câmara da Marinha Grande, Paulo Vicente. O perigo de derrocada de árvores levou as autoridades a decidiram fechar as estradas secundárias florestais que se situam no miolo da mata para se derrubarem os pinheiros e outras árvores em risco de cair.

“É preciso garantir a segurança da circulação rodoviária”, explica o autarca ao Expresso. A partir de hoje, 18 de outubro, e durante os próximos dias, as vias secundárias que cruzam toda a floresta vão começar a ser interditadas ao público, acrescenta Cidália Ferreira, que em breve tomará posse como nova presidente da autarquia eleita pelo PS.

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A medida foi decidida depois de nós últimos dias centenas de pessoas terem visitado o Pinhal de Leiria para verem de perto os estragos feito pelo incêndio. A quantidade de adultos e crianças a circular e o estado de destruição em que ficaram milhões de pinheiros levaram as autoridades a tomar medidas de segurança: as vias secundárias serão interditadas para se ir avaliando a situação.

Quanta às três estradas principais - a que liga Marinha Grande a Vieira de Leiria; a que une Marinha Grande a São Pedro de Moel e a que vai de São Pedro de Moel para a Praia de Vieira - continuam abertas, mas serão alvo de fiscalização imediata para ver que árvores têm de ser removidas. E serão a prioridades. “As secundárias não são essenciais para a circulação e pode-se ir vendo com mais tempo”, refere Cidália Ferreira.

Na manhã desta quarta-feira, os responsáveis da autarquia reuniram-se na Marinha Grande com o ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, Capoulas dos Santos e o secretário de Estado das Florestas, Miguel Freitas, para avaliar a situação. Tendo em conta a dimensão do problema, traçou-se um plano para avaliar os perigos de derrocadas, com prioridade nas vias principais. As bermas destas três estradas estão repletas de pinheiros ardidos, e ainda há fumo a sair de muitas raízes caídas no chão. “Ardeu tudo. As raízes ainda estão a arder e parecem autênticos formos”, confirma Cidália Ferreira.

nuno botelho

Pela avaliação feita pelo ainda presidente da Câmara Municipal da Marinha Grande, dos 11 mil hectares do Pinhal, mais de 9.400 foram destruídos. Trata-se, diz Paulo Vicente, de 54% do território da Marinha Grande. O incêndio que atingiu esta mata emblemática começou, segundo as autoridades, em Burrinhosa, Alcobaça, tendo sido alastrado pelo vento para norte, até à Figueira da Foz. Pelo meio atingiu o pinhal que o rei D. Dinis encheu de pinheiros bravos no século XIII.

Além da avaliação dos riscos da queda de troncos, as autoridades garantem que querem definir um plano de reflorestação e fazer uma análise ao impacto ambiental da tragédia.“O grave problema ambiental é termos ficado na região sem este pulmão que era o Pinhal de Leiria” argumenta o autarca.

As contas da tragédia não estão ainda feitas, mas milhões de pinheiros foram queimados. O fogo atingiu ainda 10 casas de habitação ficando algumas totalmente destruídas. A grande maioria das habitações situavam-se na freguesia de Vieira. Uma delas, porém, ficava no lugar do Pilado e era uma casa onde vivia a família de um antigo guarda florestal. Ardeu também uma fábrica de cartonagem, na zona industrial. “Ficámos sem dois terços do concelho da Marinha Grande”, sublinha a presidente eleita, acrescentado. “Fomos reduzido a um terço. E isso é um prejuízo de um valor incalculável.” O ministro da Agricultura, por seu lado, já admitiu que a gestão do Pinhal podia não ser a mais adequada e adiantou que o governo se prepara para em breve mudar a forma de gerir o que resta do mais emblemático Pinhal do país.