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Incêndios. Metade dos aviões e 2/3 dos helicópteros em terra

O Governo renovou parte dos contratos de aluguer dos meios aéreos de combate ao fogo

Foto Amadeu Araújo

No calendário, a época de fogos terminou e os contratos com empresas de meios aéreos também. Mas no terreno os incêndios não dão tréguas e o Governo teve de renovar parte dos contratos com as empresas de meios aéreos. A esquadrilha está reduzida a metade

Texto Amadeu Araújo

Metade dos aviões que durante todo o verão estiveram disponíveis para combater fogos estão parados no Aeródromo de Viseu sem qualquer uso. Os contratos de aluguer terminaram a 5 de outubro e, apesar das previsões meteorológicas apontarem para a continuação de tempo quente e de risco elevado de incêndio, não foram prolongados.

Apenas os dois aviões estacionados em Seia viram, por requisição do Ministério da Administração Interna, o contrato prolongado até final do mês de outubro. Os outros dois aviões— do total de quatro que nesta altura combatem as chamas — estão em funções, tal como previa a Diretiva Operacional que regula os meios disponíveis do dispositivo de combate a incêndios.

Na prática, restam agora para combater os fogos quatro aviões e 14 helicópteros. Antes estavam ao serviço oito aviões e 39 helicópteros

Os meios aéreos são essenciais no combate aos incêndios florestais. Os contratos acabaram mas os fogos não

Os meios aéreos são essenciais no combate aos incêndios florestais. Os contratos acabaram mas os fogos não

Rui Duarte Silva

Voltar a voar é mais caro

A 5 de outubro, os distritos de Castelo Branco e Vila Real viram terminados os contratos de quatro aviões anfíbios que ali operaram durante todo o ano e “não houve qualquer contacto para o prolongamento da operação”, adianta fonte da empresa Agro Montier, proprietária das aeronaves. E isto “apesar de as previsões meteorológicas apontarem para a sua necessidade”.

Estas duas parelhas estão integradas no concurso público trianual lançado em 2015 e este foi o último ano de operação. E “voltar a colocar estes aviões a voar fica mais caro porque são precisos novos seguros e novas licenças”. Porém “se o espaço de aluguer fosse mais dilatado no tempo, de março a outubro como ocorre em Espanha e Itália, o custo de operação e emprego ficava mais barato”, adianta o responsável. A previsível desmobilização destes aviões, em final de contrato, foi sentida logo no final do mês de setembro. Os dados do tráfego aéreo do Aeródromo de Viseu no mês de setembro mostram uma redução de 6% nas operações com meios aéreos de combate a fogos florestais.

Mas só a 6 de outubro, um dia depois de terminar o prazo, o MAI decidiu “o alargamento dos contratos de meios aéreos até ao final do mês”, para os aviões Canadair estacionados em Seia. Os outros dois, que operam a partir de Viseu, já tinham o planeamento para continuarem em funções até final do mês.

O modelo de contrato de aluguer merece reparos das empresas de trabalho aéreo que se queixam de “uma curta janela de operação, três meses de verão, que faz aumentar os custos quando as alterações climatéricas aconselham que esta operação decorra da primavera ao outono. Os aviões estão aqui parados como podiam estar na base da empresa em Valência, o que permitia contratar por mais meses, diminuindo o custo da operação e tendo os aviões disponíveis por mais tempo”. Contratados “por época o valor de operação por hora baixa os dois mil euros, mas se a opção for à tarefa ultrapassa os 3 mil euros”, adianta um dos especialistas que participou no último concurso público para contratação de aeronaves de asa fixa.

Também o próprio emprego dos aviões é criticado. “São obrigados, pelo caderno de encargos, a sair dos incêndios meia hora antes do por do sol, o que não faz sentido. Essa deveria ser a hora para a última descarga porque o regresso à base faz-se em altitude e com instrumentos”.

Com as criticas dos bombeiros à desmobilização de meios o MAI veio, em comunicado, garantir que “determinou o alargamento dos contratos de meios aéreos até ao final do mês de outubro”.