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Cávado é a região onde há maior esperança de vida

marcos borga

Esperança de vida em Portugal aumentou para os 80,62 anos. As mulheres continuam a viver mais tempo, mas a diferença face aos homens está a diminuir. É nas regiões do Cávado, Coimbra e Leiria que se chega mais a velho, revela o INE

Os portugueses estão a viver mais tempo. Sobretudo na região do Cávado, onde a esperança de vida aumentou para os 81,45 anos entre 2014 e 2016, revela um estudo do Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgado esta quarta-feira. Em segundo e terceiro lugares estão os distritos de Coimbra e Leiria, que registam uma esperança de vida de 81,25 e 81,24 anos, respetivamente. Mais abaixo surge a Área Metropolitana de Lisboa, onde a expectativa de vida não vai além dos 80,71 anos.

No fundo da tabela estão, por sua vez, as regiões autónomas dos Açores e da Madeira (77,28 e 78,02 anos), seguidas do Baixo Alentejo (78,62). A longevidade não pára de aumentar no mundo e Portugal não é exceção. Entre 2014 e 2016, a esperança média de vida no país subiu para os 80,62 anos, em linha com a tendência global. As mulheres continuam a viver mais tempo (83,33 anos), no entanto a diferença face aos homens está a diminuir, sendo nesta altura de 5,72 anos. Ou seja, a esperança de vida para os homens é de 77,61 anos.

tiago miranda

“Temos assistido a uma aceleração dos ganhos na esperança média de vida para os homens. Isso é revelador do melhor acesso à Saúde para os portugueses em geral. Os homens estão a adotar hábitos mais saudáveis e depois vão com mais frequência ao médico e fazem mais exames de diagnóstico, o que ajuda a detetar doenças de forma mais precoce”, observa Maria Filomena Mendes, professora da Universidade de Évora e presidente da Associação Portuguesa de Demografia (APD).

Além disso, existem doenças que estão a aumentar a incidência entre as mulheres, contribuindo para o aumento na mortalidade entre os dois sexos, sublinha José Rueff, diretor do ToxOmics (Centro de Toxicogenómica e Saúde Humana), que dá como exemplo o cancro do pulmão, face ao crescente número de mulheres fumadoras.

“Antigamente, muitas mulheres não tinham emprego fora de casa, eram domésticas e não se predispunham a acidentes de trabalho. Hoje em dia, com a emancipação da mulher, esse cenário alterou-se. Esse fator tem interferido também no peso da balança da doença”, frisa José Rueff.

“Não há aqui qualquer determinismo genético. Não é porque um sexo tem cromossoma X e outro Y que está mais protegido face a doenças. Não há dados sólidos que comprovem isso. São mais fortes os dados que sugerem o facto de as pessoas estarem mais conscientes face aos cuidados de saúde com impacto no aumento da expectativa de vida”, acrescenta.

Idosos podem viver mais 19 anos

Questionada sobre as diferenças a nível regional, a presidente da APD afirma que o país apresenta ainda assim “alguma homogeneidade geográfica” em termos da esperança média de vida. Contudo, refere que as fragilidades da população, nomedamente no que diz respeito ao acesso a serviços de saúde e a literacia, têm influência na mortalidade. “A longevidade está dependente de hábitos saudáveis. É preciso educação para a saúde e descodificar a informação, sobretudo, em relação a doenças crónicas.”

Foto José Carlos Carvalho

Por outro lado, a esperança de vida aos 65 anos também aumentou nos últimos três anos, segundo o mesmo estudo do INE. Quem atinge a terceira idade tem agora uma expectativa de viver em média mais 19,31 anos.

Maria Filomena Mendes entende, por isso, que os 65 anos são só um marcador demográfico para determinadas análises e que em breve será mudada a classificação da terceira idade. “Afinal, os anos de vida que se podem esperar aos 65 anos são os mesmos que se podiam esperar aos 40 anos no século passado. Isso revela muito sobre o futuro e faz-nos antever que é preciso mudar muitas coisas em termos da organização da sociedade, não só ao nível da segurança social e do mercado de trabalho”, conclui.