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Costa: “Estou muito satisfeito que a divulgação da lista tenha posto termo à especulação” sobre número de mortos

ANTÓNIO COTRIM / Lusa

Após uma reunião de duas horas com a Proteção Civil, o primeiro-ministro sublinhou que não pode haver “tentativas de aproveitamento político desta tragédia” e reforçou a confiança no funcionamento das instituições

António Costa garantiu estar “muito satisfeito que a divulgação da lista tenha posto termo à especulação” sobre número de mortos na tragédia de Pedrógão Grande. Esta quarta-feira, após uma reunião que durou cerca de duas horas na sede da Autoridade Nacional de Proteção Civil, o primeiro-ministro considerou ainda assim “absolutamente lamentável” o que aconteceu em termos de “especulação e aproveitamento político”.

Na conferência de imprensa, Costa citou o que Marcelo Rebelo de Sousa já dissera na terça-feira à noite: “só numa ditadura é possível tentar esconder o número de vítimas”. Assim, o primeiro-ministro negou que, em qualquer momento, o Executivo tenha tentado esconder a lista.

“A polémica surge só quando decidiram especular e acusar o Governo de estar a esconder a lista, que é só das acusações mais parvas”, disse, insistindo que não pode haver “tentativas de aproveitamento politico” nem comentários de “treinadores de bancada como se estivéssemos a discutir futebol”. “Estamos discutir vidas humanas, estamos a discutir habitações, estamos a discutir um enorme valor para o país, que é a floresta. Temos de ser responsáveis”, acrescentou, garantindo que “se alguém tinha interesse em divulgar [a lista] para acabar com as dúvidas era o Governo”.

António Costa defendeu que as autoridades “sempre foram muito cautelosas” a admitir que o número de vítimas mortais seria superior ao que estava a ser divulgado na altura.

“Considero lamentável este episódio e absolutamente excecional na nossa vida democrática e que sirva de lição para toda a gente. Alguém acha que se em vez das 64 vítimas em Pedrógão, se tivéssemos 30 seria uma tragédia menor?”, questionou.

Costa aproveitou ainda para reforçar a confiança no trabalho da Proteção Civil e dos bombeiros, defendendo que é necessário “avaliar o conjunto do sistema e confiar no funcionamento das instituições”. E justificou: “desde 1 de julho tivemos 2007 incêndios e em 81% dos casos foram controlados nos primeiros 90 minutos”.

Depois de o Expresso ter avançado, no sábado, que a lista de 64 mortos excluía vítimas indiretas, o PSD exigiu, na segunda-feira, ao Governo que os critérios usados para a constituição da lista fossem explicados e a lista divulgada. Já o CDS disse não excluir a possibilidade de apresentar uma moção de censura. O Executivo negou avançar com nomes, deixando essa decisão na mão do Ministério Público, alegando que a lista fazia parte do processo que se encontra em segredo de justiça.

Um dia depois, na terça-feira à noite, a Procuradoria-Geral da República divulgou os 64 nomes das vítimas mortais na tragédia de Pedrógão Grande, que é igual à já divulgada pelo Expresso no sábado. Estão ainda a ser investigados dois casos, incluindo a de Alzira Costa, noticiado também pelo Expresso no sábado. A segunda investigação é sobre a morte de José Rosa Tomás, que morreu de pneumonia um mês depois do incêndio, em que ficou ferido.

O incêndio, que deflagrou a 17 de junho em Pedrógão Grande, no distrito de Leiria, fez pelo menos 64 mortos e mais de 200 feridos. Foi preciso uma semana para ser dado como extinto.