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Morreu Vítor Direito, fundador do Correio da Manhã

Uma figura de referência do jornalismo português. O corpo do jornalista Vítor Direito está em câmara ardente na Capela de Santo António, no Estoril. O funeral será amanhã no cemitério de Rio de Mouro, pelas 12h.

Maria Luiza Rolim

Jornalista ímpar e com uma carreira de destaque, Vítor Direito deixou a sua marca no "Correio da Manhã" (CM), de que foi fundador e primeiro director. Responsável pela criação do primeiro título português a praticar o jornalismo virado para o povo, publicação que se tornou um dos maiores êxitos editoriais do país.

Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, iniciou-se no jornalismo desportivo e na rádio no Porto, de onde saiu para o "Diário de Lisboa", que chegou a chefiar. Foi ainda chefe de redacção do "República" e director-adjunto do vespertino "A Luta".

Entrou para o "Diário de Lisboa" em 1951, onde trabalhou com Assis Pacheco, Bessa Múrias, Joaquim Letria, José Carlos Vasconcelos e Mário Zambujal. Em 1972, ajudou Raul Rego a fundar " A República ", onde viveu os dias conturbados do PREC. Numa época em que a censura era a dor de cabeça dos jornalistas, "Vítor Direito muito rigoroso e independente, sofreu muito nessa fase difícil, porque era muito atacado e criticado como sendo de direita", recorda-se Arons de Carvalho, então em início de carreira como jornalista .

Com a extinção do "A República", acompanhou Raul Rego na criação de "A Luta". No Inverno de 1979, aventurou-se a lançar o CM. A primeira edição saiu a 19 de Março. Foi há 30 anos.

Segundo o jornalista Agostinho Azevedo, co-fundador do "Correio da Manhã", "era uma pessoa com alguma dureza, rigor e aspereza. Mas também era um homem de grande generosidade. Profissionalmente, era um grande talento: sabia fazer e motivar equipas".

Vítor Direito faleceu hoje, no Estoril, de cancro e pneumonia. Tinha 78 anos.