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Inspeção de Finanças deixou na gaveta auditoria à Cruz Vermelha durante dois anos

Virginia Mayo

A auditoria à Cruz Vermelha, datada de outubro de 2016, propunha que as “graves deficiências” nas contas da organização fossem dadas a conhecer não apenas a quem tutela a IGF (Mário Centeno), mas também ao Tribunal de Contas e à Secretaria-Geral da Presidência do Conselho de Ministros. O documento, porém, acabou por ficar na gaveta durante dois anos

A Inspeção de Finanças concluiu em outubro de 2016 uma auditoria ao funcionamento da Cruz Vermelha e às subvenções que há décadas lhe são pagas pelo Estado, mas o documento - centrado nos anos de 2013, 2014 e 2015, e que alerta para vários problemas - não viu a luz do dia até há poucos dias, revela o “Público” esta quarta-feira.

Esta notícia surge depois de Vítor Braz, responsável máximo do IGF desde 2015, ter ficado sob os holofotes da Polícia Judiciária e do Ministério Público, numa operação em que o Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa tenta apurar a forma como ações de fiscalização do Estado lesaram os interesses financeiros públicos.

Pelo que o matutino apurou, a auditoria à Cruz Vermelha propunha que as “graves deficiências” fossem dadas a conhecer não apenas a quem tutela a IGF (Mário Centeno), mas também ao Tribunal de Contas e à Secretaria-Geral da Presidência do Conselho de Ministros. Este documento, porém, acabou por ficar na gaveta durante dois anos.

Questionado na terça-feira se recebeu algum relatório de auditoria à Cruz Vermelha, o Tribunal de Contas (TdC) confirmou ter ali entrado um relatório há pouco dias: na quinta-feira da semana passada, a 6 de dezembro, quando a investigação do Ministério Público já estava em marcha há muito.

Durante o dia de ontem, equipas da PJ e do Ministério Público fizeram buscas na sede da IGF e na Cruz Vermelha, em Lisboa, a recolher prova para apurar as responsabilidades individuais “de dirigentes da administração pública da área de serviços com a missão designadamente do controlo financeiro e fiscal do Estado”.