Siga-nos

Perfil

Expresso

Revista de imprensa

Paulo Trigo Pereira: “O Parlamento não se faz respeitar e sobretudo trabalha-se pouco”

Marcos Borga

Parlamentar do PS e professor do ISEG admite que os “deputados dedicam pouco tempo” à Assembleia da República e defende que a geringonça deve estabelecer um novo acordo por escrito

O deputado do PS Paulo Trigo Pereira diz “que se trabalha pouco no Parlamento” e lamenta que a atividade parlamentar produza poucos resultados. Em entrevista ao “Público” e à Rádio Renascença, o deputado e professor do ISEG afirma que a Assembleia da República “não se faz respeitar”, apontando ainda para a falta de êxito de muitas discussões.

“Eu distingo a palavra atividade da palavra trabalho. O trabalho é algo que produz resultados. Faz-se muita coisa, audições, relatórios, etc. mas a eficácia disto é muito pequena, porque os deputados em geral dedicam muito pouco tempo ao Parlamento”, explica Paulo Trigo Pereira.

O deputado independente do PS, que votou 114 vezes em sentido diferente da bancada socialista, sublinha que vários parlamentares “têm negócios fora do Parlamento” enquanto outros “têm uma atividade política extraparlamentar: câmaras municipais, assembleias municipais, assembleias de freguesia, juntas de freguesia.”

Questionado sobre a possibilidade de haver novos acordos de Governo com o BE e o PCP, Paulo Trigo Pereira é perentório: existe essa possibilidade mas é preciso clarificar já a posição de todas as partes da geringonça, e assinar um documento.

“Eu defendo que deve existir um acordo escrito. Agora toda a gente dá por adquirido que a geringonça se pode repetir, mas não é preciso assinar nenhum papel. Eu sou completamente contra!”, defende.

Segundo o deputado, “se não houvesse papel assinado a geringonça tinha caído a meio deste mandato. Não tenho dúvidas sobre isto. Se a ideia é que caia na próxima legislatura, então não assinem papéis. Se querem que dure, assinem”, insiste.