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Augusto Santos Silva: “Vamos fazer subir o nível de parceria com Angola”

TIAGO MIRANDA

Desde que o Governo de António Costa chegou ao poder, houve uma transição de poder histórica em Angola. Porém, de acordo com Augusto Santos Silva, não houve uma mudança de tratamento por parte do regime angolano para com Portugal com a chegada do novo Presidente da República

No dia em que António Costa começa a sua visita oficial de dois dias a Angola, encontro há muito esperado desde que o “irritante” de Manuel Vicente ficou resolvido, Augusto Santos Silva traça um cenário ambicioso para as relações bilaterais dos dois países: “Nós vamos subir de nível no que diz respeito à nossa parceria com Angola. Em primeiro lugar, a nossa relação com Angola é uma relação de parceria, entre iguais, de países irmãos. É muito importante que todos tenhamos noção disso. E em segundo lugar nós vamos fazer subir o nível desta parceria para um nível propriamente estratégico, isto é, para um nível mais alto”, diz o ministro dos Negócios Estrangeiros, em entrevista ao “Jornal de Negócios” e à “Antena 1” esta segunda-feira.

A relação entre Portugal e Angola é uma das “prioridades” do Governo, assume Santos Silva. “Nunca nos devemos esquecer de que Angola é neste momento o oitavo cliente de Portugal no que diz respeito ao comércio internacional de bens e serviços. Portugal é o segundo fornecedor de Angola e o décimo cliente de Angola, e para muitas centenas de empresas portuguesas, Angola é o único mercado de exportação”, assume o governante, na mesma entrevista.

José Eduardo dos Santos sempre tratou o Governo português de forma “absolutamente impecável”

Desde que o Governo de António Costa chegou ao poder, houve uma transição de poder histórica em Angola: José Eduardo dos Santos cedeu o lugar a Manuel Vicente, passados 38 anos. De acordo com Augusto Santos Silva, não houve uma mudança de tratamento do regime angolano para com Portugal com a chegada do novo Presidente da República.

“Sempre fui recebido com a maior simpatia e da forma mais calorosa e sempre trabalhei com bons resultados, quer com o Presidente José Eduardo dos Santos quer com o Presidente João Lourenço. Angola sempre tem pautado as relações bilaterais com o Estado português e em particular com o Governo de forma absolutamente impecável”, diz o ministro dos Negócios Estrangeiros.

No entretanto, Angola mudou também a sua estratégia financeira, deixando assim Portugal um pouco para trás na sua lista de prioridades. Nos últimos meses, João Lourenço tem-se desmultiplicado em contactos no estrangeiro à procura de outros investimentos.

“Eu acho que quanto mais aberta for a diplomacia, quanto mais diversificada for a diplomacia de um país que é nosso parceiro, mais nós beneficiamos dessa parceria também. A política externa portuguesa não se caracteriza nem pelo ciúme nem pela dor de cotovelo. Nós não temos ciúmes dos outros, muito menos achamos que temos qualquer direito exclusivo sobre seja quem for”, atirou Santos Silva.