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Violência contra médicos e enfermeiros está a crescer

Miguel Guimarães, bastonário da Ordem dos Médicos

Nos primeiros seis meses deste ano a Direção-Geral de Saúde recebeu mais de 400 notificações de episódios de violência contra profissionais de saúde. Deste total, 10% dos relatos correspondem a casos de violência física, e alguns deles acabam com médicos e enfermeiros a meterem baixa

Parece um círculo vicioso: a escassez de médicos e enfermeiros no Serviço Nacional de Saúde é um dos factores que pode gerar impaciência dos utentes e desencadear episódios de violência contra estes profissionais. Na falta de resposta atempada dos serviços centrais para resolver situações desta natureza, estes acabam por meter baixa.

A edição deste sábado do “Público” alerta para a existência de mais de 400 casos de violência contra médicos e enfermeiros nos primeiros seis meses de 2018. Deste total de notificações que chegaram à Direção-Geral de Saúde, 10% dos casos correspondem a episódios de violência física contra médicos e enfermeiros, os restantes a pressão e assédio moral.

O “Público” relata o caso de um jovem médico do Centro de Saúde da Chamusca, que está de baixa neste momento, depois de ter sido agredido a murro pelo companheiro de uma paciente a quem recusara renovar a baixa médica.

Este médico usou as redes sociais para denunciar o facto, e recebeu mensagens de apoio do Bastonário da Ordem dos Médicos e do ministro da Saúde.

Solidariedade e mediatização originou novas ameaças do agressor

A mediatização do caso enfureceu o agressor desencadeando uma nova onda de ameaças. O médico em questão pediu para ser transferido para o Norte do país; o pedido foi recusado e, em alternativa, foi-lhe proposta colocação numa Unidade de Saúde próxima da Chamusca. A proximidade física à zona de residência do agressor fez com que o médico tivesse recusado essa hipótese, e esteja de baixa neste momento.

O Bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, disse ao “Público” que o Estado deve “proteger os seus profissionais”, mas não o faz: “Isto é incompetência ou desinteresse”.

Os relatos de violência que chegam à Direção-Geral de Saúde estão a aumentar de forma significativa, passando de um total de 678 casos em 2017 para mais de 400 nos primeiros seis meses deste ano.