Imobiliário e advogados quase não comunicam suspeitas de lavagem de dinheiro
02.01.2018 às 7h27
FOTO D.R.
Em 2013 foram adquiridas 420 casas em Portugal pagas exclusivamente em numerário, mas nem um caso levantou suspeitas de lavagem de dinheiro às empresas do sector
Os advogados e as imobiliárias têm uma responsabilidade acrescida no que toca a lavagem de dinheiro, devido ao tipo e quantidade de negócios que lhes passam pelas mãos, contudo, ao longo dos últimos anos, os dois sectores praticamente não comunicaram suspeitas às autoridades, como estavam obrigados, avança o “Jornal de Negócios” esta terça-feira.
Em 2013, por exemplo, foram adquiridas 420 casas em Portugal pagas exclusivamente em numerário, num total de 16,9 milhões de euros, mas nem um caso levantou suspeitas às empresas do sector.
Segundo o matutino, um relatório recente do Grupo de Acção Financeira Internacional (GAFI) mostra que as regras de prevenção praticamente só são cumpridas pelo sector financeiro - a generalidade dos bancos, o Banco de Portugal e a CMVM são elogiados.
Porém, o sector não financeiro, no entender do GAFI, é muito deficitário na aplicação das regras.
Os advogados e consultores fiscais “subestimam os riscos globais” que enfrentam, aponta o relatório do GAFI - entre 2012 e 2016 só foram comunicadas duas transações suspeitas.
Do lado do imobiliário, a questão é semelhante. Nos últimos cinco anos, apenas foram comunicadas 10 suspeitas de lavagem de dinheiro.