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Assis: “Podemos estar prestes a assistir ao surgimento de uma nova geringonça. Marcelo ocupará um lugar absolutamente central”

Marcos Borga

Segundo o eurodeputado do PS, Marcelo Rebelo de Sousa é hoje a personalidade pública em melhores condições para representar “aquilo que de modo um pouco simplista poderemos considerar como a voz da consciência nacional”

De mediador a jogador. É esta a visão que Francisco Assis, eurodeputado do PS, tem para o futuro de Marcelo Rebelo de Sousa na vida política nacional. Depois dos resultados das eleições autárquicas e das consequências institucionais e políticas da última tragédia dos fogos florestais, houve uma inversão de polaridade entre o Governo e o Presidente da República, que em seu entender até pode ser benigna para o PS.

“Poderemos estar prestes a assistir ao surgimento de uma nova e ainda mais original e sofisticada ‘geringonça’ na vida política nacional. Marcelo Rebelo de Sousa ocupará, no contexto dessa novíssima ‘geringonça’, um lugar absolutamente central na nossa vida política”, escreve o socialista num texto de opinião publicado no “Público” esta sexta-feira.

“Beneficiando enormemente do amplo apoio popular de que dispõe, estará em condições de impor ao Governo e aos partidos da oposição uma agenda pública resultante de uma consensualização prévia de preocupações comuns aos principais agentes políticos portugueses. Foi já o que aconteceu agora, na gestão do período pós-incêndios. Essa autoridade presidencial, exercida nos limites das competências constitucionais, contrariará a tendência para uma excessiva polarização do confronto político, abrirá espaço para entendimentos parlamentares de geometria variável e terá, desde logo, dois efeitos benignos, um no Partido Socialista e no Governo que dele emana e outro no principal partido da oposição, o PSD — libertará o PS de uma excessiva dependência da extrema-esquerda parlamentar e desacorrentará o PSD de uma parte significativa do seu passado mais recente”, explicou.

Segundo o eurodeputado do PS, Marcelo Rebelo de Sousa é atualmente a personalidade pública em melhores condições para representar “aquilo que de modo um pouco simplista poderemos considerar como a voz da consciência nacional”.

“A ampla cultura política e jurídica” do Presidente da República, para Assis, irá impedi-lo “de ceder, seja em que circunstâncias for, à tentação de se perceber a si próprio como uma solução providencial num país em crise”.

“É certo que Marcelo recorre amiúde a esse discurso exageradamente emotivo, que não favorece a qualidade da discussão política. Mas essa é apenas uma parte, e a meu ver claramente menor, de um homem político dotado de excepcionais recursos de inteligência e preparação teórica”, escreveu ainda.