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Venda de informações a funerárias denunciada em Elvas

Quatro funcionários foram indiciados e os seus nomes já são do conhecimento do Conselho de Administração do hospital.

Em reunião recente com o Conselho de Administração do Hospital de Santa Luzia de Elvas, a Associação Portuguesa dos Profissionais do Sector Funerário (APPSF) indicou quatro nomes de funcionários, que alegadamente terão vendido informações a funerárias sobre os óbitos verificados naquela unidade de saúde. “Por conhecimento próprio, denunciámos esses nomes e as agências beneficiadas são aquelas que vão ao Hospital buscar os falecidos”, revelou Paulo Carreira, presidente da APPSF.

Segundo este responsável, “quando ocorre o óbito, o funcionário do hospital aconselha os familiares a recorrerem a determinada agência e em certos casos, como ocorreu em Portimão, é a própria agência que comunica o óbito à família". Esse funcionário tanto trabalharia para o hospital como para a agência, que "paga as informações e as acaba por cobrar ao cliente, onerando a sua conta”, acusou.

Estas situações não ocorrerão com exclusividade em Elvas, em termos de o presidente daquela associação referir casos parecidos, nomeadamente, em Évora e Portimão. Paulo Carreira também denunciou “contabilidade paralela e sacos azuis” em agências funerárias, assim como “a não liquidação de impostos devidos”. Por isso, o seu próximo passo a dar é a denúncia às autoridades judiciais.

Uma empresa associada (a Servilusa) especificou até as "situações dramáticas" verificadas em vários pontos do país, em que as pessoas são confrontadas à noite pela agência funerária a dizer que morreu a sua mãe, o seu pai, ou seu avô, sem o hospital lhes ter comunicado nada. Essa informação chega a ser dada não a uma só agência, mas a duas ou três. "E isso tira a liberdade de escolha às pessoas”, afirmou o director geral da Servilusa, António Balha e Melo. “A Servilusa e as outras agências, que não se comportam assim, são altamente prejudicadas, pois quem tem €400 mil, ou mais, de encargos por mês não pode ver-lhe fugir um negócio de forma ilícita", acrescentou Balha e Melo.