Siga-nos

Perfil

Expresso

Regiões

Varredora multada por cair da lambreta

Esta é a história de um caso nada exemplar, que envolve uma varredora dos serviços de limpeza da Câmara de Santarém -- irmã da cantora Linda de Sousa e igualmente com jeito para versejar -- e um agente da PSP local. Este multou-a só por ter caído da lambreta em que se desloca todos os dias entre casa e o local de trabalho.

Maria Antónia Sousa Lança gosta do seu ofício de varrer as ruas da cidade. Aliás, teve que lutar há uns anos largos por este seu modesto emprego, como 'O Ribatejo' então se fez eco. Há cerca de mês e meio (13 de Dezembro), Maria Antónia caiu da motoreta quando esta resvalou na areia do acidentado Largo Emílio Infante da Câmara, perto da Casa do Campino, em Santarém, onde se localiza a sede dos Serviços de Higiene e Limpeza da Câmara.

Magoada com a queda, dirigiu-se ao hospital onde confirmou que nada tinha para além das escoriações. Neste entretanto, e como é costume cada vez que no hospital é registado um ferido de acidente, um polícia interpelou-a nas urgências com pormenorizado questionário.

Chegou-lhe agora a multa a casa, por ter caído da motoreta: €120, por infringir o artigo 25, nº1 h) do Código de Estrada. Para quem não saiba, o dito artigo diz que “a velocidade deve ser especialmente moderada nos troços de via em maus estado de conservação, molhados, ou enlameados ou que ofereçam precárias condições de aderência".    

Note-se que o polícia refere no auto da infracção que a velocidade máxima naquele local é de 50 Km/h, tal como acentua que “não presenciou o acidente nem se deslocou ao local”. Ora só por absurdo é que alguém – mesmo um polícia – poderá imaginar que a simpática e cinquentenária Maria Antónia (de 56 anos), anda por aí a acelerar a sua lambreta, mesmo naquele imenso e acidentado descampado que é antigo Campo da Feira. 

Não será caso raro de arbitrariedade, mas o singular episódio policial, merece atenta reflexão. Em especial do comando da PSP de Santarém.

Enfim, se não estivesse tudo escrito em papel timbrado da polícia, diríamos que era brincadeira de Carnaval antecipado. Como não é, recomenda-se ao comando da polícia que olhe mais atentamente para o caso, e que não obrigue uma varredora a gastar um quarto do ordenado nesta aberração.