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Utentes de Fafe tristes com hospital

Casos transportados pelos bombeiros não têm acesso directo e a triagem obriga à concentração de doentes.

O SISTEMA de triagem de Manchester implementado, recentemente, no serviço de urgência do Hospital de S. José, em Fafe, está a deixar os bombeiros à beira de um ataque de nervos. Tudo porque a unidade hospitalar não reúne condições para que o serviço funcione convenientemente, obrigando à concentração de utentes, quer sejam ou não transportados em ambulância, além do nefasto convívio entre crianças e adultos.

O sistema de triagem de Manchester foi recentemente implantado na urgência do Hospital de S. José, em Fafe. Mas as novas normas não foram acompanhadas de uma necessária reestruturação das condições físicas do espaço. O resultado é um generalizado descontentamento dos utentes, mas, sobretudo, dos bombeiros, que não são alvo de nenhuma discriminação positiva e são obrigados a esperar pelas macas enquanto os pacientes que transportaram não são atendidos e encaminhados. «Na sala de triagem mal cabe uma maca. Nos casos em que chega mais que uma ambulância no mesmo espaço de tempo, temos que esperar uns pelos outros e depois ainda temos que ficar à espera da maca o tempo que for necessário até o doente ser atendido», ilustrou ao «DM» Neves Fernandes, dos Bombeiros Voluntários de Fafe (BVF). Pior, acrescenta, é que «apenas existe uma sala de espera, onde toda a gente convive com toda a gente, incluindo crianças, estando muito ou pouco doente, com casos muito ou pouco graves».

A triagem de Manchester destina-se a ordenar a prioridade de atendimento e deveria contribuir para disciplinar o acesso dos casos menos graves às urgências. Deveria também servir consequentemente para evitar a concentração de pacientes e a permanência indiscriminada, horas a fio, no mesmo espaço. Em Fafe já algumas vozes se levantaram para acusar que não é assim que o sistema tem funcionado, nomeadamente a do presidente da Junta de Freguesia e do comando dos Bombeiros. Neves Fernandes também conhecia de perto o problema, mas a passada semana sentiu-o na pele. «Tive um pequeno acidente no decurso de um incêndio florestal. Sofri um traumatismo num pé, uma entorse grave, que começou a piorar à medida que o tempo passou. Fui ao hospital fardado, acompanhado de um bombeiro e numa viatura dos bombeiros. Fui observado e tive que esperar mais de duas horas até ser atendido, numa altura em que já quase me contorcia com dores», recorda, acrescentando que o caso é recorrente e acontece todos os dias. «Os casos transportados pelos bombeiros são tratados exactamente como outro qualquer e os doentes transportados em maca convivem com os restantes, sejam adultos ou crianças», garante.

Inconformado com o facto de o Hospital de Fafe não reunir condições para garantir um acesso directo dos doentes transportados em ambulância, aquele elemento das Equipas de Combate a Incêndios (ECIN) dos BVF abordou um dos chefes de serviço sobre o problema. «E obtive como resposta que a culpa era do Ministério da Saúde», desabafa, indignado.

Farto de desabafos e «paninhos quentes» sobre o problema, aquele bombeiro decidiu denunciar a situação e expor publicamente o seu problema na esperança «de que alguém acorde para a resolução de um problema grave e sério, porque a triagem do Hospital de Fafe não tem o mínimo de condições e simplesmente não funciona», acusa. Neves Fernandes vai mesmo mais longe e garante que «comparativamente, antes de entrar este sistema em funcionamento, a urgência funcionava melhor e sem estes problemas», que geram um ambiente, por vezes, caótico e confuso. Alguns utentes abordados pelo «DM» partilham da opinião e também olham com censura para a concentração desregrada. «Isto tudo à molhada, não tem jeito nenhum, e as macas também não deviam entrar por aqui», repreende um dos pacientes.  

O «DM» tentou obter reacção ao problema por parte da administração do Hospital de Fafe, mas sem sucesso até à hora de fecho desta edição.