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Uma tradição envelhecida

Em Penalva, há cada vez menos produtores de queijo da Serra de Estrela. E até os seus filhos evitam continuar a tradição, preferindo emigrar.

Maria Augusta Ribeiro, produtora de queijo da Serra da estrela, sorri aos visitantes da XVI Feira/Festa do Pastor e do Queijo, em Penalva do Castelo, que se realizou no passado dia 2 de Fevereiro. Exibe com destreza os seus produtos artesanais. “Olhe que os queijinhos estão fresquinhos!”, vai ela dizendo aos potenciais compradores.

Não fossem as rugas na cara e os ossos frágeis que se vão curvando perante o vento frio do Interior, ninguém suporia que Maria Augusta Ribeiro tem 80 anos. “Tenho muito gosto no que faço”, afirma com o orgulho de quem sempre viveu no campo, tendo por companhia as suas seis cabras e a rotina de produzir um queijo por dia.

Maria Augusta Ribeiro será um dos produtores mais velhos a marcar presença na feira. E se há um ano, se verificava a tendência de envelhecimento destes artesãos do queijo, a única diferença sentida agora é que têm mais um ano: são os mesmos, portanto, mas estão mais velhos.

De 100 produtores que as entidades asseguram existirem no concelho, apenas 50 marcaram presença neste certame. Os objectivos da feira do queijo são, segundo o presidente da Câmara Municipal de Penalva do Castelo (CMPC), Leonídio Monteiro, “promover os produtos do concelho e impedir a desertificação do mundo rural”.

Mas os jovens evadem-se do Interior. Até as filhas da senhora Maria Augusta que emigraram para os Estados Unidos da América “à procura de uma vida melhor”.

No concelho, apenas 11 queijarias se encontram licenciadas e só dois produtores estão certificados. Aos olhos leigos de quem apenas percorre a feira, e compara as bancas, a diferença visível é o preço. Em média um queijo certificado pode custar entre os 13 e os 14 euros, enquanto que um queijo artesanal sem reconhecimento atinge entre os 10 e os 12 euros.

No certame, três adegas apresentaram os seus pr odutos aos visitantes.