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Trás-os-Montes aposta na amêndoa

Torre de Moncorvo, Mogadouro, Alfândega da Fé e Freixo de Espada à Cinta são os concelhos que registam as maiores áreas de amendoal.

A plantação de amendoeiras volta a proliferar em Trás-os-Montes. Após o abandono de centenas de hectares (ha) de amendoal, os apoios concedidos pelo Ministério da Agricultura (MA) estão a incentivar os agricultores a retomar a produção de frutos de casta rija, nomeadamente a amêndoa.

Os produtores que apostam nestas culturas estão a receber cerca de 350 euros por ha, um valor que poderá aumentar em função do número de candidaturas.

Este incentivo tem como principal objectivo revitalizar uma cultura que faz parte das tradições agrícolas e do cartaz da região transmontana.

Apesar do valor atractivo das ajudas, o número de ha candidatados na zona abrangida pela Direcção Regional de Agricultura de Trás-os-Montes (DRATM) tem vindo a diminuir ano após ano.

Em 2004, o primeiro ano em que o Ministério da Agricultura disponibilizou estas ajudas, aderiram 4 991 agricultores, com uma área total de 11.142,24 ha. No ano seguinte, a DRATM registou, apenas, 4 749 candidaturas, correspondentes a uma área total de 10.718,19 ha.

Este ano, a área de produção candidatada equivale a 62% dos ha registados no ano passado, ou seja 6 664 ha de 1 562 produtores.

Na óptica do tesoureiro da Amendoacoop (Cooperativa de Produtores de Amêndoa de Torre de Moncorvo), Armando Pacheco, a diminuição de candidaturas deve-se à alteração da lei da concessão das ajudas, que leva os agricultores com parcelas mais pequenas a repensarem os pedidos dos incentivos.

A partir de agora, a validação das candidaturas depende da adesão dos agricultores a uma organização de produtores «reconhecida nos termos do artigo 11º ou 14º do Regulamento (CE) nº 2200/96». Por isso, foram criados cinco agrupamentos de produtores para a zona de abrangência da DRATM.

Sedeadas em Torre de Moncorvo, Freixo de Espada à Cinta, Freixo de Numão e Valpaços, as cooperativas reúnem um total de 1 562 sócios que cultivam uma área de 6 664 ha de árvores de frutos de casca rija.

Torre de Moncorvo, Mogadouro, Alfândega da Fé e Freixo de Espada à Cinta são os concelhos que registam um maior número de ha de amendoal, bem como um maior número de agricultores que se dedicam à cultura de frutos de casca rija.

Aliás, é em Torre de Moncorvo que está sedeada a Cooperativa Agrícola de Produtores de Trás-os-Montes e Alto Douro, aquela que conta com um maior número de associados (811), distribuídos por 3 309,31 ha.

Em relação às candidaturas, também é o concelho de Torre de Moncorvo que tem apresentado maior número de ha de amendoal. Só no ano passado, foi candidatada uma área de 2 603,69 ha.

Apesar dos agricultores estarem a apostar na plantação de novos campos de amendoal, em termos de candidaturas aos apoios do MA, apenas os concelhos de Torre de Moncorvo e Mogadouro aumentaram, ainda que de forma reduzida, a área de cultivo de frutos de casca rija.

De acordo com Armando Pacheco, a proliferação de novas plantações de amendoal deve-se aos incentivos, mas também «ao facto dos apoios para a plantação de olival estarem esgotados».

No que toca à comercialização, este é o primeiro ano que as cooperativas vão transaccionar a produção de frutos de casca rija dos agricultores, tendo boas perspectivas de mercado, tanto a nível nacional como internacional.

Por exemplo, a Coopafreixo-Cooperativa Agrícola garante que vai escoar a amêndoa dos associados no mercado espanhol, ao passo que a Amendacoop está a estudar os preços e as condições do mercado português e estrangeiro.