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Senhora comandante, por amor à camisola

Embora esteja a prazo, Maria Fernanda Lopes é a única mulher do país a dirigir uma corporação de bombeiros.

Aos 44 anos de idade e, mesmo que o seu comando nos Bombeiros Voluntários de Sátão (BVS) seja exercido a título interino, Maria Fernanda Lopes faz história, por ser única mulher à frente de uma corporação de bombeiros do país, neste momento.

Pelo menos até Dezembro, ela vai chefiar uma centena de elementos, 20 dos quais mulheres. No distrito de Viseu, segundo o comandante distrital César Fonseca, só há outro exemplo parecido de uma senhora em posto relevante dos soldados da paz: trata-se de uma adjunta no quadro de comando, em Cabanas de Viriato (Carregal do Sal).

Fernanda Lopes também era adjunta de comando em Satão, mas assumiu a liderança da corporação no início do mês, depois da demissão do comandante e de um adjunto, em finais de Agosto.

A 'senhora comandante' exerce a missão há 27 anos, numa corporação com 29 de existência e, embora esteja já classificada como bombeira de 1.ª classe, continua voluntária como em 1979.

Solteira e sem filhos, Maria Fernanda Lopes afirma ter “liberdade total de movimentos” para uma ocupação que “exige muito, para quem gosta, por amor à camisola”. A escadaria das categorias da classe é para continuar a subir. “Espero fazer exames, este ano, para sub-chefe” – anuncia.   

Funcionária pública de profissão, na Câmara Municipal de Sátão, Fernanda Lopes assevera que nunca foi seu objectivo ser comandante. Mas aqui está, “dadas as circunstâncias”, reconhece. Pelo menos até Dezembro, altura em que haverá eleições para os corpos sociais da associação.

A partir daí, “só se fosse reunida uma série de condições, é que não me importava de continuar”, assume, embora perspective dificuldades.

“Ninguém está por ela”, afiançam em surdina alguns elementos. Fernanda Lopes foi nomeada pela direcção que um grupo de bombeiros contesta, e que se mantém solidário com o anterior comandante, por alegada ingerência em questões relacionadas com o seu comando.

A instabilidade nos Bombeiros Voluntários de Sátão, que culminou com a demissão do comandante e de um adjunto, em finais de Agosto, parece amenizada, apesar de persistirem alguns focos de resistência, reconhecidos pela própria comandante interina.

O presidente da direcção, Rebelo Marinho, reassumiu as funções que havia suspendido, na sequência das demissões no comando. E manter-se-á na presidência até às eleições de Dezembro, não se recandidatando.

Quanto à comandante interina, Rebelo Marinho declara que “ninguém sabe” se Maria Fernanda Lopes irá assumir, em pleno, pois "em princípio, será a próxima direcção a nomear o futuro comandante”.