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Salários chumbados na Câmara de Foz Coa

Em causa estavam os administradores de duas empresas municipais: não tendo sido ouvida para os contratar, a AM  não lhes aprovou os salários.

A 'Fozcoactiva', empresa municipal responsável pela gestão cultural do concelho de Vila Nova de Foz Côa, tem um novo administrador-delegado, desde Maio, tal como a Fozcoainvest, mas este contratado logo em Fevereiro. Ambas as contratações foram feitas sem sujeição ao crivo da Assembleia Municipal (AM) e, agora, a polémica incendiou a última reunião da AM, mal o presidente da Câmara, o socialista Emílio Mesquita, apresentou as propostas de remuneração dos novos administradores.

Os salários acabaram foram chumbados na Assembleia (15 votos a favor, duas abstenções e os restantes contra), apesar de o PS ter a maioria nesse orgão autárquico. No entanto e segundo o edil explicou à Rádio Altitude, o que houve não foram  propostas chumbadas, mas sim "erro de contagem", dado que um dos representantes socialistas não terá mantido "o braço no ar até ao fim " e por isso o seu voto foi contado como abstenção, quando ele "teria votado favoravelmente".

Emílio Mesquita acrescentou, ainda, que "a lei não obriga o executivo a levar estes assuntos à Assembleia" e ele só o lá levou por querer "transparência nestas matérias", como garantiu.

Para o autarca, as empresa municipais «não se gerem com amadorismo», e por isso ele contratou profissionais, com os seguintes ordenados: €1.937 para o administrador da Fozcôainvest e €1.639 mil para o administrador da Fozcoactiva. Ou seja, considera Emílio Mesquita,  "estamos a falar de coisas moderadas, pois foi proposto mais 20% acima de um cargo de director financeiro para Fozcôainvest – porque tem mais empresas – e mais 5% para a  Fozcoactiva".

Já na versão de Gustavo Duarte, vereador social-democrata, "a Assembleia reconheceu que os montantes em causa devem é ser utilizados a atender outras prioridades ou serviços". Recorda ele que as empresas municipais já existiam antes sem que estes cargos fossem remunerados. "Só havia senhas de presença e funcionavam. Por isso, devem continuar da mesma forma" e sem necessidade de recorrer "a nenhum administrador a tempo inteiro". De resto, acrescenta o autarca social-democrata, "a votação só teve esta expressão por ser de braço no ar: se o voto fosse secreto, a margem teria sido ainda maior».

O assunto deve voltar à agenda na próxima reunião da Assembleia Municipal de Vila Nova de Foz Côa.

No mapa de uma recente auditoria da Inspecção-Geral das Finanças (IGF), que apurou remunerações de gestores municipais acima do permitido por lei , o distrito da Guarda aparece em 4º lugar, com 12 empresas municipais, sendo que a EM Celoricense aparece entre as que mais generosamente remuneram os seus administradores. Existem actualmente mais de 20 empresas municipais por todo o distrito.