Siga-nos

Perfil

Expresso

Regiões

Roupa com lança perfume

Uma estudante da Escola Secundária Rafael Bordalo Pinheiro criou um dispositivo para integrar e perfumar o vestuário feminino que ela própria desenha.

''Dahamaro Neferti” assim se designa a empresa imaginada por Nádia Ribeiro, de 17 anos, vencedora do concurso “O meu primeiro negócio”, uma iniciativa do Oeste Empreendedor.

A jovem estudante, do Painho (Cadaval), idealizou esta firma que comercializa vestuário feminino com uma característica especial - roupa perfumada. Isto é, as peças poderão ter um pequeno aparelho, produzido e comercializado pela marca, que deixa a roupa perfumada em intervalos de tempo previamente determinados. A jovem, que terminou o 12º ano no curso tecnológico de Administração na Escola Rafael Bordalo Pinheiro, quer agora prosseguir estudos na área do Marketing.

Desde criança que Nádia Ribeiro tem o sonho de constituir a sua própria empresa e ideias não lhe faltam. Ela desenha, escreve e de vez em quando surgem-lhe ideias como o aparelho Dahamaro pois “eu queria mesmo colocar o cheiro dentro da roupa'', explicou.

O nome da empresa surgiu por causa “da inovação que nos distingue das outras empresas de roupa”. Dahamaro é o nome do pequeno aparelho em forma de disco (que pesa entre cinco a 10 gramas) e que dá cheiro à roupa, enquanto que Neferti é uma rainha do Egipto.

Este aparelho “é a nossa aposta de inovação”, explicou a estudante que pensou em todos os pormenores de funcionamento, inclusivé, da protecção contra falsificações.

A empresa iria produzir três linhas de roupa, mas todas teriam edição limitada pois Nádia Ribeiro é contra a produção massiva e prefere apostar na alta costura. Terá também um catálogo especializado com vários tipos de tecido, cor e acessórios. Estas peças de vestuário não são para todas as bolsas, admitindo a autora que se destinam a pessoas com rendimentos mais elevados.

A “Dahamaro Neferti” no futuro pretende expandir-se para novos mercados como o Médio Oriente, França e Espanha e ainda apostar em novos produtos como perfumes, acessórios de moda, jóias e sapatos. O seu público-alvo integra mulheres “com capacidade económica,  espírito revolucionário e que gostem de vestir um exclusivo ou de edição limitada”, disse a mentora da empresa virtual.

“O meu esforço foi reconhecido”

Este foi o único projecto da Bordalo Pinheiro candidato ao concurso do Oeste Empreendedor, tendo sido distinguido entre outros apresentados por estudantes de estabelecimentos de ensino e formação profissional das Caldas, Peniche e Torres Vedras. Quando recebeu o prémio, Nádia Ribeiro vivenciou “uma alegria muito grande pois deu-me muito trabalho e assim foi reconhecido”.

O prémio foi de 1500 euros que Nádia Ribeiro vai aplicar na compra de um computador portátil, muito útil para quem pretende agora ingressar na universidade. “É uma óptima ajuda”, comentou a jovem empreendedora que durante as férias está a trabalhar num stand nas Caldas.

Depois da distinção a jovem recebeu incentivos para criar a sua empresa a sério, mas a estudante quer ganhar experiência primeiro antes de encetar no seu negócio. Nádia Ribeiro gostaria de a criar na região das Caldas, onde teoricamente poderia criar 50 postos de trabalho e ter ainda filiais em várias localidades.

Este projecto foi também o trabalho final de curso tecnológico de Administração que foi classificado com 20 valores. Nádia Ribeiro teve que planificar a empresa desde o zero sem esquecer plano de negócios, custos, marketing mix, previsão de lucro, processo burocrático entre tantos outros temas  como a responsabilidade social da empresa.

Um dos factores-chave que defende é o controlo da qualidade. “Faremos um protocolo com um único fornecedor de materiais de qualidade e beneficiaríamos de descontos e de um prazo alargado para pagamento”, explicou a jovem. Nádia Ribeiro não descurou nenhum dos pormenores pois desenhou desde a planta da fábrica até aos uniformes dos empregados das lojas ou dos estafetas.

Primeiro a estudante apresentou o projecto na escola a 11 de Julho e no concurso promovido pelo Oeste Empreendedor a 18 de Julho.

O Oeste Empreendedor é promovido por um grupo de oito organizações da região Oeste e é co-financiado pelo Estado Português e pelo Fundo Social Europeu ao abrigo Iniciativa Comunitária Equal. Com este concurso pretendeu-se fomentar o espírito empreendedor e inovador, premiando o sentido de iniciativa e de criatividade. Foram valorizadas capacidades como a observação, a iniciativa, o assumir de riscos, a tomada de decisões e a resolução de conflitos. Além do projecto de Nádia Ribeiro, foram distinguidos outros relacionados com uma exploração conjunta de frutas e cunicultura e ainda de uma empresa de montagem e assistência de painéis solares.