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Raça mirandesa em risco

Embora mantenha o mesmo número de efectivos, a raça mirandesa corre perigo de perder a sua excelente qualidade média.

A progressiva diminuição do número de criadores está a reflectir-se na qualidade da raça mirandesa, no sentido da perda, pois "só quem trata uma média de 10 cabeças dá aos animais todos os mimos da casa", segundo garante Arlindo Formariz, presidente da associação de criadores. E muitos que se desinteressam, sem aparecerem substitutos à altura, fazem-no devido ao tipo de apoios concedidos à criação desta raça autóctone do Nordeste.

Os efectivos quantitativos de bovinos têm-se mantido, dado haver explorações que aumentaram a produção. Mas o problema é que os pequenos agricultores vão abandonando, a um ritmo assustador.

Face a esta situação, o presidente da Associação de Criadores de Bovinos de Raça Mirandesa (ACBRM), Arlindo Formariz, alerta para o perigo implícito do desaparecimento da raça. "Estamos convencidos que, no final do ano, não seremos mais de 500 criadores, já que muitos outros abandonaram a actividade", frisou. E porque razão isso acontece? Ele próprio responde que a mirandesa "tem recebido os mesmos apoios que as raças mais lucrativas e cujos animais se desenvolvem mais depressa".

Se ainda há tantos resistentes e que continuam a apostar na criação de gado mirandês, é porque muitos deles receberam as unidades de produção em herança dos seus maiores. "A mirandesa faz parte do meu património. Eu teria mais rendimentos se apostasse noutras raças, mas quem corre por gosto não cansa", realçou Licínio Rodrigues, um dos maiores criadores da região.

O abandono da actividade e a diminuição do efectivo são evidentes nos cinco concelhos que compõem o Solar da Raça Mirandesa. E por isso, a Câmara Municipal de Bragança vem organizando concursos, na intenção de incentivar os criadores e valorizar os seus animais. Segundo o vice-presidente da Câmara, Rui Caseiro, os prémios foram actualizados há dois anos e com "uma subida considerável do seu montante".

Uma situação igualmente de risco estão a viver as ovelhas da raça churra badana. Com um efectivo de 2951 animais, esta raça pode considerar-se em vias de extinção, visto que o número de fêmeas existente no Nordeste Transmontano não garante a continuidade da espécie.

A associação de criadores desta raça autóctone tem apostado na preservação e estabilização do efectivo, que, desde 2002, teve um aumento na ordem das 300 cabeças de gado. No entanto, o envelhecimento dos criadores é outro perigo para a sobrevivência destes ovinos. Os agricultores envelhecem e, como actualmente é muito difícil arranjar pastores, acabam por vender os seus rebanhos.

Os 200 mil exemplares que existiam em toda a região da Terra Quente foram diminuindo ano após ano, até que, em 1991, foi instituída a obrigatoriedade do registo dos animais no livro genealógico. Foi assim que se concluiu que a raça está em vias de extinção.

Característica da região transmontana, a Badana é uma raça que se pauta pela diferença. As fêmeas não têm cornos, os animais têm uma cor acastanhada – pelo que lhes chamam "cara amarela", têm lã churra e são pequenos e rústicos.