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Professores de Setúbal ajudam Moçambique

O projecto Kunfundiça, que em língua local significa «educar», é  iniciativa da recém-criada Associação de Solidariedade Portugal-África e Amigos.

UM GRUPO de jovens professores de Setúbal está a fazer as malas para partir para Chimoio, em Moçambique. Nos bairros mais carenciados da cidade africana, vão ajudar os professores das escolas a melhorar a aprendizagem das crianças e as suas técnicas de ensino. O objectivo deste projecto-piloto é criar um modelo de cooperação educativa que mais tarde possa ser estendido a outras regiões e países, e que ajude os países africanos a colmatarem lacunas no sistema educativo.

A ideia de uma cooperação com África nasceu há cerca de seis anos, mas foi em 2004 em trabalhos iniciais com a União Missionária Franciscana (UMF), que começou a materializar-se. «Depois de ter acabado o curso de Educação Física, fiz um ano de voluntariado no Chimoio e na altura detectei algumas carências», onta David Fernandes, um dos mentores do projecto a que o grupo decidiu chamar Kunfundiça, e que foi criado no seio da nova Associação de Solidariedade Portugal-África e Amigos (ASPAA).

A iniciativa mobiliza um professor do 1.º ciclo, uma  professora de História, um professor de Educação Física e Desporto, duas psicopedagogas e uma designer e ilustradora. Todos de Setúbal, excepto uma jovem professora proveniente de Vila Franca de Xira. O objectivo é levar respostas e criar autonomia num grupo de 29 agentes de ensino (educadoras, auxiliares e professores de 1º ciclo), beneficiando assim indirectamente cerca de 550 crianças por ano.

Ajudar a criança a aprender a ler, e não a decorar, e promover a aprendizagem das crianças com deficiência foram alguns dos problemas para os quais os professores do Chimoio pediram ajuda. «O projecto parte de uma lista de oito pontos que os professores consideraram importantes. Para cada um desses problemas procurámos soluções. Agora a ideia é chegar lá, reunir com eles, e apresentar as nossas propostas de trabalho», explica David Fernandes.

O conhecimento dos problemas locais partiu também de uma acção de formação de educadoras de infância na mesma cidade moçambicana, que envolveu formadores de Setúbal, e em que David Fernandes participou em 2004. «Só duas educadoras permaneceram na formação. Todas as restantes acabaram por se ir embora por razões culturais ou de saúde, por se terem casado ou engravidado, ou por terem contraído uma doença», co nta o jovem professor.

O Chimoio depara-se com uma grande carência de professores e educadores experientes e adequadamente formados, devido à elevada taxa de mortalidade provocada por doenças como a malária e a SIDA. Saúde e educação serão as primeiras prioridades dos projectos da ASPAA em África.

 Saúde e educação

Chimoio é o retrato da típica cidade africana, com as suas duas faces contrastantes. De um lado, as boas casas e os bons automóveis. Do outro, os bairros pobres onde falta tudo. Ainda assim, David Fernandes confessa-se impressionado com «as boas instalações de escolas e jardins de infância» que encontrou quando lá foi pela primeira vez.

«Foi uma surpresa agradável encontrar estas instalações, construídas no âmbito de projectos de apoio. No entanto, muitas vezes as pessoas não as conseguem rentabilizar», ressalva. «Também não há o mesmo acesso à informação que nós aqui temos», acrescenta.

O objectivo desta associação é não só promover projectos em África como também, futuramente, em Portugal. Em Moçambique, para onde o grupo de professores parte a 27 de Julho e onde permanece até 26 de Agosto, o apoio logístico, o transporte e as instalações vão ser assumidas pela UMF.

Em Portugal, a associação tem procurado apoios junto de empresas, ao abrigo da Lei do Mecenato, «mas as respostas até agora têm sido negativas», lamenta. Além dos apoios no local, os jovens envolvidos no projecto têm procurado angariar fundos pela venda de T-Shirts e outras actividades. Quanto a eventuais contactos mais formais com o Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento (IPAD) ou o Ministério da Educação, a associação quer ter primeiro o relatório deste projecto-piloto no Chimoio para então partir para outros níveis de actuação.