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Ponte velha vai encerrar para obras

Um dos pilares da ponte velha de Portimão corre o risco de colapso e vai por isso sofrer uma intervenção de urgência, que se deve prolongar pelos primeiros seis meses do  próximo ano. Durante a intervenção, a ponte fica encerrada ao trânsito.  

As obras na velhinha ponte sobre o rio Arade já estavam previstas há alguns anos, mas a falta de meios ditou que a obra só agora avance no terreno, sendo interdita à circulação no primeiro semestre de 2008.

Durante esse periodo, é possível que a ligação entre as duas margens do Arade se faça através de "ferry-boats". Esta  é, pelo menos, a solução que está a ser estudada e que até poderá manter-se depois de a ponte reabrir à circulação  automóvel.

O concurso público da empreitada já foi adjudicado e tudo aponta para que em Janeiro de 2008 a intervenção comece, com incidência no pilar mais próximo da muralha. A não haver uma solução nova, o trânsito passará invariavelmente a recorrer à variante à estrada nacional 125, ou à  ponte da Via do Infante.

A Câmara de Portimão encontra-se neste momento a estudar a hipótese de se recorrer aos transportes fluviais para passageiros. De acordo com o presidente da autarquia, Manuel da Luz, “existe ainda a hipótese destes barcos poderem levar passageiros para a Praia da Rocha”. Desta forma, a intenção da Câmara de Portimão é transformar uma contrariedade numa futura vantagem. “Poderá ser uma experiência interessante que se poderá manter mesmo após as obras na ponte velha estarem concluídas”, referiu o autarca ao nosso Jornal.

Nova travessia não é prioritária

Tal como o Jornal do Algarve adiantou em Maio de 2001 (dois meses após a tragédia da ponte de Entre-os-Rios), a ponte metálica sobre o rio Arade estava identificada pelo próprio IEP como uma das de mais riscos em todo o país. No entanto, os técnicos acreditam que a intervenção que está prevista para o primeiro semestre de 2008 vai prolongar o “tempo de vida da ponte por mais algumas décadas”. Recorde-se que as autarquias de Portimão e Lagoa chegaram a defender no ano passado a construção de uma nova travessia entre as duas margens do rio Arade, mas o projecto não foi considerado prioritário pelo Governo.

Na base desta reivindicação, as duas câmaras municipais do barlavento algarvio defendiam que a ponte velha – que já conta com mais de 130 anos de história – já não consegue dar resposta ao fluxo de tráfego que circula entre os dois municípios e era necessário encontrar rapidamente uma alternativa. Na altura, os técnicos já afirmavam que “a ponte velha não pode ser alargada e vai desembocar em ruas estreitas, com menos de cinco metros, e que também não podem ser alargadas”. “Por isso, a solução passa por uma nova travessia rodoviária do Arade”, defendiam.

Um dos argumentos mais utilizados pelas autarquias barlaventinas é a idade da velha estrutura metálica. Além disso, as semelhanças entre a ponte centenária de Portimão e a de Entre-os-Rios – que desabou tragicamente, no dia 4 de Março de 2001, provocando 57 mortos – são demais: quase a mesma idade (a ponte algarvia tem mais dez anos) e comprimento (300 metros) e a mesma firma construtora (a empresa francesa Five Lille). No entanto, os especialistas garantem que esta é “mais segura” e não apresenta os mesmos riscos. Porém, o trânsito nesta travessia do rio Arade é cada vez mais intenso e são muitos os veículos – ligeiros e  pesados – que por lá passam, durante todo o dia, para o centro da cidade de Portimão. Várias testemunhas garantem mesmo que já sentiram a ponte tremer à passagem de um, ou vários, veículos pesados.