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Nova ponte do Lima muda paisagem

Travessia liga os concelhos de Arcos de Valdevez e Ponte da Barca.

A CONSTRUÇÃO na nova ponte sobre o rio Lima, a ligar os concelhos de Arcos de Valdevez (Padreiro – Salvador) e Ponte da Barca (Lavradas) vai provocar «alterações significativas na paisagem» não só pela introdução de um novo elemento visual, mas também por causa do «aterro de grandes dimensões» na margem esquerda em terrenos agrícolas.

Esa é a principal conclusão registada no «resumo não técnico» do Estudo de Impacte Ambiental, cuja consulta decorre até dia 11 de Agosto próximo.

Esta nova travessia, inserida entre as duas actuais passagens que distam pouco mais de 20 quilómetros, uma em Ponte de Lima e outra em Ponte da Barca, virá colmatar uma reivindicação das populações, sobretudo da zona poente do concelho de Ponte da Barca permitindo-lhes assim usar com eficácia o IC28. Aliás, no dia da inauguração, no nó de Padreiro, concentraram-se autarcas de algumas freguesias da Ponte da Barca que se propunham entregar ao então Primeiro Ministro, Durão Barroso, esta reivindicação.

Esta nova travessia permitir às unidades produtivas instaladas no Parque Empresarial da Gemieira um melhor escoamento dos produtos.

O actual presidente da autarquia de Ponte da Barca, em declarações ao Diário do Minho, anunciou que é sua intenção diligenciar para que nesta zona seja encontrado um espaço adequado para a construção de um Parque Empresarial.

Este projecto, que vai ligar dois eixos rodoviários fundamentais no vale do Lima, o IC28 e a EN 202, na margem direita, e a EN 203, na outra margem, tem uma extesão de cerca de um quilómetro, dos quais 420 metros correspondem à nova. O traçado desenvolve-se a partir do nó do IC28, junto ao Parque Empresarial de Padreiro, através de uma avenida com duas faixas de rodagem com separador central e passeio, transpondo o rio na perpendicular, indo entroncar, através de uma rotunda na EN 203 que liga Ponte de Lima a Ponte da Barca na margem esquerda.

A ponte, propriamente dita, terá uma única faixa de rodagem com sete metros de largura e bermas (2,5 metros cada), sendo que do lado nascente tem ainda um passeio que permite a travessia a pé.

A ponte é constituida por quatro pilares, localizados fora do leito de cheia. Com cerca de 3 metros de alura em relação à linha da água. Segundo o documento em consulta pública, esta opção justifica-se pela preservação da vegetação que proporciona, uma vez que o tabuleiro vai ser construído a partir dos pilares, através de sucessivos avanços do tabuleiro, sem que haja «sifnificativa intervenção ao nível do solo». A abertura dos caboucos dos pilares, explica o documento, foi estudada de forma a ocupar o mínimo de área nas proximidades do corredor ripícula.

Estão projectados muros de suporte, na margem direita, a fim de não interferir com o parque e de evitar a expropriação de seis habitações, o que vai também fazer que se gaste quase a totalidade das terras que vão ser movimentadas nesta zona.

Na fregeusia de Lavradas vai ser necessário ir buscar cerca de 44 mil metros cúbicos de terras para o aterro.

Ao nível da geologia a principal preocupação prende-se com a necessidade de ultrapassar «um afloramento granítico muito resistente» na área dos acessos em Padreiro, devendo ser necessário recorrer ao desmonte «a fogo ou eventualmente de super-martelo».

Nas restantes componentes ambientais, com excepção ao ruído, os principais impactes situam-se ao nível da fase de construção, podendo ser minimizados.