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Mortos em conflito com achados históricos

Enterrar alguém num dos dois cemitérios do Campo Militar de São Jorge está a ser um bico de obra, porque a lei exige o parecer de um arqueólogo.

Os funerais nos cemitérios de São Jorge deveriam ser, em bom rigor, acompanhados por um arqueólogo. Mas não o são, porque ''tem prevalecido o bom-senso", segundo justifica Hélder Paulino, presidente da Junta de Freguesia de Calvaria de Cima. Pelo menos num desses cemitérios, que está inserido na Zona de Protecção do Campo Militar de São Jorge, reconhece o presidente que, do ponto de vista legal, qualquer alteração do terreno deveria ter acompanhamento técnico. Mas, anualmente, são pouco mais de uma dezena os enterros lá realizados e seria ''um absurdo" obrigá-los ao parecer prévio de um arqueólogo.

O Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR) e a Fundação Batalha de Aljubarrota (FBA) nunca levantaram a questão e diz Hélder Paulino que não seria ele a "pedir um arqueólogo, cada vez que há um funeral". Mas no limite, reconhece, aqueles funerais "são mesmo realizados à margem da lei". António José Teixeira, arqueólogo e deputado municipal socialista, também defende a prevalência do bom-senso, neste tipo de situações. Mas não deixa de perguntar: "E se algo aparentemente importante fosse encontrado: o morto não era enterrado?”.

Por estas e por outras situações, inerentes ao processo de classificação da envolvente do Campo Militar, acaba de ser criado um novo fórum de discussão, que congrega a Junta local, as Câmaras de Porto de Mós e Batalha, o IPPAR e a FBA. Coordena-o o Governo Civil de Leiria. Este grupo de trabalho aguarda o despacho da ministra da cultura para começar a reunir. Contudo, em recente reunião, Isabel Pires de Lima já deu luz verde à sua criação. Se tudo correr normalmente, o mais tardar em Outubro decorrerá a primeira reunião. Resolver o diferendo sobre a área da localidade abrangida pela classificação é o assunto fulcral da agenda.